Índia deve reduzir exportações de açúcar por riscos climáticos
El Niño e crescente demanda por etanol pressionam a produção

A Índia, anteriormente o segundo maior exportador de açúcar do planeta, enfrentará restrições significativas em suas exportações devido a condições climáticas adversas e à crescente demanda por etanol nos próximos três anos, conforme informações de executivos do setor e autoridades locais.
As previsões indicam que a produção de açúcar será afetada pela combinação do fenômeno El Niño e a mudança de uso da cana-de-açúcar, levando a uma diminuição na oferta global e consequentemente sustentando os preços elevados em mercados como Londres e Nova York.
✨ A combinação de El Niño e a crescente demanda por etanol pode deixar a Índia fora do mercado exportador de açúcar por até três safras.
Efeitos do El Niño na produção de açúcar
Com a expectativa de uma redução nas chuvas de monção, que podem atingir os níveis mais baixos em uma década, os agricultores indianos estão sendo forçados a reavaliar seus planos de plantio. Especialistas acreditam que a escassez de chuva resultará em uma diminuição significativa na área plantada com cana-de-açúcar.
Além disso, as usinas de açúcar indianas, cuja produção média anual corresponde a cerca de 10% do total mundial, já se encontram com stocks reduzidos. Durante a atual safra, a produção deverá ser inferior ao consumo, impactando diretamente o abastecimento interno e limitando a possibilidade de exportação.
Mudanças nas políticas de etanol
O governo indiano está incentivando cada vez mais a adoção de etanol, visando aumentar a mistura deste biocombustível com a gasolina. Isso, juntamente com a introdução de veículos flex-fuel, tem potencial para transformar a demanda interna e diminuir ainda mais a quantidade de cana disponível para a produção de açúcar.
"A tendência é de que as políticas governamentais priorizem a produção de etanol, o que poderá inviabilizar as exportações de açúcar nos próximos anos
Contexto
A Índia já exportou em média 6,8 milhões de toneladas de açúcar anualmente até 2022-23. A combinação de El Niño e maior demanda por biocombustíveis pode transformar o país em um importador líquido de açúcar em breve.
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