Cecafé aponta desafios logísticos e queda nos preços como fatores críticos

O Brasil exportou 3,030 milhões de sacas de 60 kg de café em julho de 2026, marcando um crescimento de 9,9% em relação ao mesmo mês do ciclo anterior, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Entretanto, a receita gerada pelas vendas externamente caiu para US$ 903,9 milhões, uma diminuição de 13,2% em comparação ao ano passado.
No total acumulado de janeiro a julho de 2026, o país embarcou 20,897 milhões de sacas, arrecadando US$ 7,449 bilhões. Apesar das exportações em volume terem aumentado, esse foi um período de retração, com quedas de 5,9% no volume e de 13,1% na receita em relação ao mesmo intervalo de 2025.
✨ A infraestrutura portuária e o atraso na colheita do café arábica têm dificultado um desempenho melhor nas exportações.
Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, atribui o impacto na receita a problemas logísticos que continuam a desafiar as operações nos portos brasileiros. Ele explica que as chuvas em áreas produtivas atrasaram a colheita do café arábica, pois esperava-se um aumento significativo nas exportações. Além disso, a infraestrutura precária provoca custos adicionais e extendendo prazos para os exportadores.
Ferreira acredita que, a partir da segunda quinzena de agosto, o ritmo das exportações pode melhorar conforme a colheita avança. Ele afirma que os produtores, motivados por bons preços nas safras recentes, irão agir de maneira cautelosa nas vendas, aproveitando momentos de alta e preservando o estoque em períodos de baixa.
A possibilidade de recuperação é real, apesar das quedas acentuadas nas compras pelos Estados Unidos, que representam o principal mercado para o café brasileiro, com uma redução de mais de 30% nas aquisições em 2026. O Cecafé, junto a outras associações, conseguiu eliminar tarifas que encareciam exportações para o mercado americano, o que poderá impulsionar vendas futuras.
Durante os primeiros sete meses de 2026, o Brasil exportou: - 14,987 milhões de sacas de café arábica (71,7% do total); - 3,387 milhões de sacas de canéfora (16,2% do total); - 2,486 milhões de sacas de café solúvel (11,9% do total). Os cafés diferenciados representaram 16,7% das exportações.
Mesmo com aumento no volume das exportações, o preço médio por saca caiu para US$ 356,45, impactando a receita total do setor. Os principais destinos incluem Estados Unidos (2,590 milhões de sacas) e Alemanha (2,426 milhões de sacas), ambos apresentando quedas nas comparação com 2025.
O Porto de Santos permanece como o principal ponto de saída, respondendo por 70,9% das exportações, enquanto outros portos como o do Rio de Janeiro também contribuem significativamente para o total.
Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.
Gostou desta notícia? Compartilhe!

Variáveis como clima e câmbio complicam formação de preços

Fórum discute impacto do corredor rodoviário no agronegócio

Crescimento no consumo de café evidenciado pela Abic

Relatório trará detalhes sobre a produção e área plantada de café no Brasil