Desempenho dividido entre setores com alta e baixa produção

A agroindústria no Brasil começou 2026 com um desempenho promissor, mas sofreu uma desaceleração significativa ao longo dos meses, resultando em uma queda acumulada de 0,3% no primeiro semestre. Esse resultado foi divulgado pelo Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro) do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV.
Os segmentos da agroindústria apresentaram comportamentos variados. Enquanto as indústrias não alimentícias enfrentaram uma contração de 2%, as de alimentos e bebidas tiveram um crescimento positivo de 1,1%. Segundo análises da FGV Agro, a desaceleração da economia e as incertezas do setor externo são fatores que explicam essa perda de ritmo.
✨ A indústria de insumos agropecuários foi a mais afetada, com uma queda de 8,3% na produção.
O segmento já atravessava dificuldades desde 2025, e a situação se agravou devido à guerra no Oriente Médio, que impactou os custos e a disponibilidade de insumos. Outros setores, como produtos têxteis e florestais, também reportaram desempenhos negativos, com retrações de 5% e 2,4%, respectivamente.
Por outro lado, as indústrias de biocombustíveis destacaram-se com um aumento expressivo de 18,1%, impulsionado pela moagem de cana-de-açúcar. As indústrias de fumo também registraram um leve aumento de 1,6% na produção.
Ao comparar o primeiro e o segundo trimestres de 2026, observa-se que entre janeiro e março, houve um crescimento de 0,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto de abril a junho, a produção caiu 0,8%. No setor de alimentos e bebidas, todos os segmentos apresentaram alta de produção no primeiro semestre, especialmente as indústrias de bebidas, que cresceram 1,5%.
O preenchimento da cota chinesa para a carne bovina e a suspensão das exportações de produtos de origem animal para a União Europeia, que começará em 3 de setembro, devem impactar negativamente a agroindústria no segundo semestre.
A produção das indústrias de alimentos de origem animal também avançou 1,3%, com impulsão de carnes e laticínios, enquanto a produção das indústrias de alimentos de origem vegetal cresceu 0,4%, sustentada por conservas, sucos e moagem de trigo e café.
O índice PIMAgro teve uma queda de 0,9% em junho em comparação ao mesmo mês do ano anterior, marcando a segunda redução consecutiva. O cenário sugere que as perspectivas para o segundo semestre não são animadoras para a agroindústria, conforme alertam os especialistas da FGV.
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