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Agronegócio
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Desafios no setor de fertilizantes destacam importância do fosfato

Especialistas apontam fragmentação e falta de competitividade na produção

Fernanda Lima10 de abril de 2026 às 03:00
Desafios no setor de fertilizantes destacam importância do fosfato

A recente venda de ativos ligados à produção de fosfato revela fragilidades estruturais no setor de fertilizantes do Brasil, impactando a integração industrial e a competitividade, segundo Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio.

A fabricação de insumos como MAP e DAP é complexa e depende de uma série de elementos, incluindo energia, enxofre e logística eficiente. Enquanto principais regiões produtoras do mundo integram esses recursos para operar de maneira coordenada, o Brasil enfrenta desafios na articulação de sua cadeia produtiva.

Modelos de Produção no Exterior

Em regiões como o Oriente Médio, o enxofre é geralmente um subproduto do refino, enquanto o gás natural disponível impulsiona a produção de amônia, barateando custos e aumentando a competitividade. Na Rússia, uma forte sinergia entre a indústria de gás, química e logística de exportação maximiza a eficiência da cadeia. O Marrocos se destaca com um planejamento que integra mineração, produção química e distribuição de fertilizantes, assegurando uma abordagem coordenada.

Cenário Brasileiro de Produção

No Brasil, apesar de contar com reservas significativas de fosfato, a capacidade de refino e uma vasta demanda no mercado interno, esses fatores não se articulam efetivamente. A desorganização na cadeia produtiva e a alta logística encarecem a produção, fazendo com que em muitos casos seja mais viável importar fertilizantes do que produzi-los localmente.

A falta de articulação na cadeia de fertilizantes pode manter o Brasil dependente de insumos externos, mesmo com sua alta capacidade agrícola.

A recente decisão de uma empresa do setor em paralisar minas de fosfato em Minas Gerais e colocar ativos à venda reflete este problema de baixa integração e queda na competitividade. A análise ressalta que, sem uma abordagem visando tratar fertilizantes como ativos estratégicos em uma política de Estado, o Brasil poderá continuar a ter alta produtividade agrícola, mas a um custo elevado e com dependência externa.

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