Fabiana Alves Alerta: Desafios Financeiros dos Produtores Rurais Devem Acentuar-se
Presidente do Rabobank Brasil discute cenário agrário no Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio.

Durante o Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio, Fabiana Alves, líder do Rabobank Brasil, expressou preocupações sobre a situação financeira dos produtores rurais, prevendo que as dificuldades devem aumentar antes de apresentarem uma melhoria.
Desafios Adicionais
A executiva destacou que a atual guerra no Oriente Médio tem contribuído para um cenário mais desafiador, o que inclui altas nos custos de fertilizantes e combustíveis, além do risco de desabastecimento. Segundo Alves, a expectativa é que a taxa de juros não caia tão rapidamente quanto se esperava.
"A gente está num momento muito complexo em que tudo está acontecendo ao mesmo tempo. Isso para mim só mostra a necessidade de sofisticar a gestão, porque não vai ser diferente daqui cinco anos. Não tem promessa de que a gente vai voltar a ter um mundo estável de chuva, como era dez anos atrás.
✨ A falta de profissionalização nos negócios rurais é alarmante.
Contexto
Alves ressaltou que a maioria dos produtores carecem de uma gestão sólida, o que impacta diretamente na lucratividade, especialmente após um período de margens brutas elevadas.
A presidente do Rabobank criticou a situação em que produtores operam com múltiplas moedas, gerenciando diferentes safras de forma precária. 'Estamos falando de produtor que, ao mesmo tempo, paga contas antigas, dívidas da safra atual e se antecipa para a próxima', comentou.
Ela enfatizou a necessidade de um programa governamental que ajude na transição para uma gestão mais profissional no setor rural e destacou o papel limitante dos benefícios fiscais que incentivam a informalidade na estrutura de negócios.
Alves também abordou a questão da segurança climática, alertando que os produtores que não adotarem práticas resilientes serão considerados de maior risco pelas instituições financeiras. O mercado já utiliza análises climáticas baseadas em georreferenciamento para avaliar a saúde dos negócios rurais.
Ela ainda mencionou a resolução 5267 do Banco Central, que estabeleceu novos parâmetros para a gestão de risco no crédito rural, incluindo a utilização de imagens de satélite para facilitar o monitoramento e a alocação de recursos.
Por fim, Alves criticou a falta de análise sistemática do Cadastro Ambiental Rural, apontando que isso encarece o crédito rural devido à necessidade de cruzamentos de informação feitos pelos bancos de modo independente.
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Carlos Silva
Jornalista especializado em Agronegócio
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