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Agronegócio
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Mercado de trigo dividido entre oferta global e preços sustentados no Brasil

Tensões entre abastecimento e demanda mantém cotações instáveis

Fernanda Lima22 de junho de 2026 às 08:45
Mercado de trigo dividido entre oferta global e preços sustentados no Brasil

O mercado de trigo enfrenta um cenário misto, onde a pressão das cotações internacionais contrasta com fatores que sustentam os preços no Brasil. A última análise semanal da TF Agroeconômica destaca que, enquanto a colheita no Hemisfério Norte aponta para uma tendência de queda, a escassez de oferta interna reforça os valores no mercado nacional.

Nos Estados Unidos, a colheita de trigo SRW é impactada por chuvas excessivas, causando atrasos e aumentando a possibilidade de comprometimento da qualidade do grão, embora isso ainda não tenha afetado a produção significativamente. A cobertura de posições vendidas por investidores também ajudou na recuperação das cotações.

A Argélia adquiriu entre 800 mil e 850 mil toneladas de trigo, elevando a demanda do mercado, enquanto ataques a portos ucranianos intensificam riscos logísticos no Mar Negro.

Apesar das tensões, os mercados de Chicago, Kansas e Minneapolis encerraram a semana em baixa, refletindo o avanço da colheita americana, a proximidade da safra na Europa e as exportações fracas dos Estados Unidos. Além disso, as previsões de boas safras na Rússia, União Europeia e partes do Mar Negro ampliam a percepção de oferta no mercado.

Com relação à Argentina, o início precoce do plantio sinaliza também um potencial aumento na produção. Na Bolsa de Chicago, o contrato de dezembro de 2026 apresenta suporte em US$ 6,10 por bushel e resistências em US$ 6,55, com uma faixa adicional entre US$ 6,75 e US$ 7,00. A expectativa para o curto prazo é de uma tendência lateral, com possibilidade de uma reação se os riscos climáticos forem intensificados.

No cenário brasileiro, o trigo no Paraná está cotado entre R$ 1.370 e R$ 1.378 por tonelada, enquanto no Rio Grande do Sul, os preços variam de R$ 1.320 a R$ 1.333 em um movimento lateral. A menor produção, o estoque limitado e a necessidade de importações confirmam a sustentação dos preços, mas as dificuldades enfrentadas pelos moinhos em vender farinha, combinadas com a queda no valor do farelo, limitam novas altas.

As perspectivas para as próximas semanas indicam uma estabilidade no mercado nacional, ao mesmo tempo que uma leve pressão baixista pode ser observada em Chicago.

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