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Agronegócio
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Pesquisa combate vassoura-de-bruxa da mandioca em Oiapoque

Iniciativas em parceria com indígenas visam restaurar colheitas afetadas

Fernanda Lima17 de abril de 2026 às 17:45
Pesquisa combate vassoura-de-bruxa da mandioca em Oiapoque

Em Oiapoque, no Amapá, uma colaboração entre saberes científicos e tradicionais está sendo empregada para lidar com a vassoura-de-bruxa da mandioca, uma praga que afeta fortemente os cultivos indígenas na região.

A Embrapa iniciou pesquisas e ações de transferência de tecnologia em conjunto com agricultores indígenas, que foram pioneiros na detecção dos sintomas da doença no Brasil. A praga, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, foi inicialmente observada em roças indígenas e está restrita aos estados do Amapá e Pará, sendo considerada uma praga quarentenária pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

A vassoura-de-bruxa da mandioca é uma das principais ameaças à segurança alimentar nas terras indígenas de Oiapoque.

Experimentos em campo

Equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura têm realizado visitas técnicas a diversas aldeias para conduzir experimentos e identificar variedades de mandioca que demonstrem resistência ao fungo. Recentemente, as pesquisas foram realizadas nas comunidades de Tukay, Kariá e Galibi.

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Estamos avaliando 210 genótipos diferentes, buscando aquelas que apresentem menos sintomas e mais resistência à doença

Saulo Oliveira, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

Além dos testes em campo, os agricultores indígenas têm um papel ativo, fornecendo observações sobre quais variedades apresentam melhor desempenho, que são então validadas cientificamente quanto à sua resistência e produtividade.

Mais sobre o TED Indígena

O TED Indígena é um programa que busca implementar ações de pesquisa e transferência de tecnologia para mitigar a dispersão do fungo e apoiar a recuperação das áreas afetadas e a segurança alimentar.

Como parte da iniciativa, foi construída uma câmara térmica no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. Essa tecnologia é essencial para eliminar patógenos e multiplicar mudas saudáveis, aumentando a produção de mandioca tratada pelas comunidades.

Gilmar Nunes André, um agente ambiental indígena, expressou esperança com a nova câmara, afirmando que as mudas poderão ser prontas para o plantio em apenas 120 dias. "Vamos multiplicar as mudas a cada quatro meses", destacou.

Capacitação e diversificação

A Embrapa também promove capacitações para que os produtores indígenas diversifiquem suas produções agrícolas. Na Aldeia do Manga, foi realizado recentemente um Dia de Campo focado no cultivo de banana, com orientações sobre manejo, controle de pragas e práticas pós-colheita.

Essa execução coletiva vem envolvendo uma série de instituições, como a Superintendência do Ministério da Agricultura e Pecuária no Amapá e o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque, fortalecendo a união entre comunidades e órgãos governamentais.

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