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Agronegócio
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Produtores gaúchos apostam na canola por baixa lucratividade do trigo

Crescimento na área plantada de canola deve ser recorde neste ano

Gabriel Rodrigues06 de julho de 2026 às 05:10
Produtores gaúchos apostam na canola por baixa lucratividade do trigo

Diante da baixa atratividade dos preços do trigo e da possibilidade de uma colheita prejudicada pelo El Niño, agricultores do Rio Grande do Sul estão voltando suas atenções para a canola, buscando uma fonte de renda mais estável nesta safra de inverno.

Conforme informado pela Emater-RS, a área destinada ao cultivo de canola deve mais do que dobrar neste ano, atingindo um total de 353.397 hectares, o que representa um aumento expressivo de 102,64% em relação a 2025.

A rentabilidade da canola em comparação ao trigo se destaca como o principal incentivo para os produtores.

Alencar Rugeri, gestor de culturas anuais da Emater-RS, explica que "o trigo está muito sujeito às condições de mercado tanto para seu cultivo quanto para sua comercialização. Em contraste, a canola possui um modelo que está vinculado às indústrias de biocombustíveis, que asseguram a compra e subsidiam a produção com negociações de preços antecipadas, atraindo os agricultores."

Entre os agricultores que estão se aventurando no cultivo de canola está Tales Pezzini, localizado em Santa Bárbara do Sul (RS), que substituiu a área de trigo por 130 hectares de canola em sua propriedade. Ele conta que optou por essa oleaginosa devido ao suporte técnico fornecido pela empresa 3tentos, com a qual ele já firmou um acordo para a venda de sua produção.

Pezzini ressalta a situação do trigo, que neste ano não conseguiria cobrir os custos de produção. "Com um custo fixado em 18 sacas por hectare, tenho a expectativa de colher entre 30 e 35 sacas por hectare", destaca.

A 3tentos, empresa que está incentivando o cultivo de canola no Rio Grande do Sul, projeta plantar mais de 100 mil hectares da cultura, de acordo com seu diretor de operações, Luiz Augusto Dumoncel. A colheita será destinada à fábrica de biodiesel em Ijuí (RS), que recebeu um investimento de R$ 60 milhões, com expectativa de receber cerca de 100 mil toneladas de canola anualmente, resultando em 40 mil toneladas de óleo para a produção de biodiesel.

Dumoncel acredita que a área cultivada com canola poderá crescer para até 1 milhão de hectares nos próximos três a cinco anos, dependendo da implementação da lei Combustível do Futuro.

Na Agropecuária Piraju em São Luiz Gonzaga (RS), a família Piccoli diminuiu a área plantada com trigo, passando de 800 para 500 hectares nesta safra, enquanto a canola explodiu de 200 para 350 hectares. Eles também dedicaram 100 hectares ao cultivo de carinata, uma oleaginosa voltada para a produção de combustível de aviação.

"Optamos por canola e carinata pela liquidez e pelo potencial de valorização devido à demanda por biocombustíveis. Esses cultivos têm conquistado os agricultores, pois exigem um investimento menor e oferecem uma maior possibilidade de retorno financeiro", analisa Marcondes Piccoli.

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O seguro para canola oferece uma cobertura de cerca de 20 sacas por hectare, enquanto o custo de produção gira em torno de 15 sacas, o que proporciona um retorno mesmo em caso de perdas. No trigo, essa relação é desfavorável, causando prejuízos a quem não consegue a produção esperada - Marcondes Piccoli.

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