Queda nos preços da soja desencoraja agricultores para nova safra
Mercado instável e custos elevados impactam decisões de plantio.

A recente queda nos preços da soja, decorrente de uma oferta excessiva, junto ao endividamento crescente dos agricultores e as incertezas devido ao conflito no Oriente Médio, têm gerado desânimo entre os produtores para a nova safra da oleaginosa.
Após uma colheita recorde na temporada 2025/26, analistas do setor projetam que a área plantada para a safra 2026/27 possa se manter estável ou até mesmo sofrer uma leve redução, o que seria uma novidade em 20 anos.
✨ Preços elevados de fertilizantes devido à guerra aumentam pressão sobre os produtores.
O produtor Donato Beltramin, que cultivou 400 hectares de soja em Francisco Beltrão, no Paraná, relata que, apesar de ter colhido 55 sacas por hectare, acima da média dos últimos anos, o baixo preço atual e os custos acumulados de safras anteriores o forçam a repensar os investimentos nesta nova temporada.
O preço da saca de soja no porto de Paranaguá passou de R$ 142 em dezembro para R$ 128,62, uma queda de 9,4%. Beltramin já cortou 15% dos custos com insumos, afetado diretamente pela situação de guerra que encarece fertilizantes essenciais como o fosfato monoamônico, cuja alta foi de 22%.
Expectativas do setor
Carlos Cogo, sócio da Cogo Inteligência em Agronegócio, indica que a soja deve ocupar 48,9 milhões de hectares na próxima safra, uma leve queda em relação aos 49 milhões da safra atual, marcando a primeira redução desde 2006/07. Decisões dos agricultores, relacionadas à utilização de áreas próprias ou arrendadas, influenciarão essas estimativas.
"A disparada no preço dos fertilizantes desde o início da guerra foi crucial para mudar a rota de crescimento da soja no país
Os produtores adquiriram apenas 35% dos fertilizantes necessários, uma queda em comparação a 46% no mesmo período de 2025. Esse atraso poderá gerar custos adicionais não previstos para os agricultores.
Análise do mercado de insumos
Tomás Pernías da StoneX destaca que a oferta de fertilizantes caiu devido a dificuldades logísticas enfrentadas pelos fornecedores, especialmente na Arábia Saudita. Embora não haja previsão de falta do insumo, os custos permanecem altos.
Daniele Siqueira, da AgRural, aponta que, embora ainda seja cedo para prever uma queda na área plantada com soja, as margens apertadas e a crescente dívida dos agricultores fomentam uma realidade mais sombria do que em anos anteriores.
Rosi Cerrati, presidente do sindicato rural de Barreiras, Bahia, acredita que a diminuição dos investimentos em insumos é inevitável, embora não se espere uma queda na área plantada, devido aos investimentos já realizados no manejo do solo.
Perspectivas para o futuro
Enquanto algumas consultorias, como a Datagro, preveem um aumento de 1% na área plantada para 2026/27, o aumento dos custos pode afetar a adoção de tecnologias no cultivo, refletindo um momento crítico para o setor.
"O padrão tecnológico nas lavouras tem grandes chances de sofrer uma redução
A relação de troca entre soja e insumos se deteriorou, refletindo as dificuldades enfrentadas pelos produtores, que precisam de mais grãos para adquirir insumos essenciais. A situação é considerada uma das mais desafiadoras pelos últimos anos.
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