Uso de água salobra pode revolucionar produção agrícola no semiárido
Cientistas da Embrapa mostram que mudas nativas se adaptam ao sal

A escassez de água continua a ser um dos maiores desafios para a agricultura na região semiárida do Brasil. Entretanto, uma abordagem inovadora surge com o uso de água salobra para cultivar mudas de plantas nativas da Caatinga, conforme revelam recentes pesquisas realizadas pela Embrapa Semiárido.
Estudos mostram que essa água, frequentemente encontrada nos aquíferos locais, não apenas é viável para o crescimento das mudas, mas pode até fortalecer sua resistência em condições adversas típicas da região, como altas temperaturas e salinidade elevada.
✨ Pesquisas indicam que mudas irrigadas com água salobra crescem de forma semelhante às cultivadas com água tratada.
Bárbara Dantas, pesquisadora responsável pela investigação, salienta que essa técnica faz parte do conceito de agricultura biossalina. Essa abordagem visa alinhar a produção agrícola às características ambientais, aproveitando a adaptabilidade das espécies nativas da Caatinga.
Dantas observa que as plantas já estão acostumadas a enfrentar condições severas e podem germinar em águas com alta concentração de sal, semelhantes a níveis encontrados em água do mar. Os experimentos demonstraram que a irrigação com água salobra resulta em mudas com crescimento comparável ao das que recebem água potável.
Impacto ambiental e adubação
A pesquisadora garante que o uso de água salobra não traz riscos significativos de salinização do solo, pois a irrigação é feita em substratos, evitando o contato direto com o solo de cultivo. Assim, as plantas já desenvolvem características de resiliência para o ambiente externo.
Além disso, mesmo sem adubação, as mudas demonstraram um crescimento robusto, reforçando a ideia de que a salinidade da água não é um obstáculo ao desenvolvimento saudável. Esta descoberta é encorajadora, pois mostra que plantas podem absorver os nutrientes necessários mesmo quando cultivadas em condições de salinidade.
"O sal não se mostra um fator limitante no crescimento das plantas, permitindo um desenvolvimento equilibrado
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