Crise afeta produção de ostras em Santa Catarina com perdas alarmantes
Produtores enfrentam mortalidade elevada e queda na oferta

A produção de ostras em Santa Catarina, responsável por 91% do cultivo nacional, está enfrentando uma das piores crises de sua história, com produtores relatando perdas de até 90% dos cultivos, impactando a oferta no mercado.
O problema, iniciado em dezembro e agravado durante o verão, tem sido sentido especialmente em Florianópolis. Fábio de Spindola, um dos produtores, destacou que a mortalidade das ostras superou o padrão habitual, que em anos normais varia de 30% a 40%.
✨ A mortalidade das ostras alcançou 80%, em dias em que a temperatura da água subiu para 34 °C.
A perda se deu em um momento crítico, quando as ostras estavam prestes a serem comercializadas, levando a uma drástica redução da oferta no mercado. "Em um período de alta demanda, chegamos a perder duas a três mil dúzias de ostras por semana", afirmou Spindola.
Medidas Emergenciais
Em resposta à crise, a Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina criou uma linha de crédito que permitirá a aquicultores acessar até R$ 50 mil, sem juros, para ajudar na recuperação da produção.
Causas do Problema
De acordo com o gerente do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri, André Tortato Novaes, o aumento da temperatura da água causa estresse fisiológico em organismos como as ostras. Esse fenômeno, relacionado ao clima, não só aumenta as taxas de mortalidade, mas também facilita a entrada de patógenos, colocando em risco a produção.
A maioria das ostras cultivadas em Santa Catarina é da variedade japonesa, que é particularmente sensível a temperaturas elevadas. Novaes explicou que os criadores catarinenses estão próximos ao limite térmico dessa espécie.
Impactos na Cadeia de Suprimentos
As consequências da crise já se refletem na cadeia de distribuição, onde as vendas caíram cerca de 30% em relação ao ano anterior, de acordo com Rosa Pitelli, cofundadora da distribuidora Agromar Marflix. Spindola também confirma essa escassez, afirmando que a maioria dos estabelecimentos não tem ostras disponíveis.
Alternativas para o Futuro
Diante da situação, os produtores estão explorando alternativas para diversificar a produção e aumentar a resistência às mudanças climáticas. Propostas incluem a transformação da comercialização de ostras vivas para carne cozida, além de considerar a possibilidade de cultivar espécies mais resistentes ao calor.
Ainda assim, a recuperação não será imediata, com o setor enfrentando desafios contínuos. Spindola enfatizou que, sem um seguro específico para a aquicultura, muitos produtores terão que repensar suas estratégias para se adaptar a um cenário potencialmente mais crítico no futuro.
"Nunca passei por isso em mais de duas décadas. Se continuar assim, a gente vai ter que repensar tudo
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