O enólogo e suas memórias ligadas ao vinho e à terra

O enólogo Alejandro Vigil quer registrar suas experiências em um livro de contos que começará com uma lembrança de um jantar realizado no final dos anos 90 em Mendoza, onde apreciou uma garrafa de Saint Felicien 1997 com sua esposa Maria e amigos, enquanto a Argentina enfrentava a dolarização de sua economia.
Naquela época, o país adotava uma nova moeda, e a garrafa custava cerca de 80 pesos. Vigil recorda que, ao finalizar a bebida, brincou sobre a possibilidade de um dia trabalhar na vinícola, ainda sem saber que sua paixão pela viticultura se tornaria realidade. Em 2001, ele foi contratado pela renomada Catena Zapata, que revolucionou a viticultura na América do Sul, promovendo os vinhos argentinos globalmente.
Nos anos 90, a Argentina implementou a dolarização, onde um peso era equivalente a um dólar, afetando diversos setores da economia, incluindo a produção de vinhos.
Com experiência prévia no Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, Vigil iniciou um trabalho inovador mapeando como a altitude e a composição do solo impactavam o Malbec, que na época era pouco valorizado.
✨ Vigil aprendeu sobre resiliência em um dia de granizo que devastou a colheita da família, uma lição marcante que moldou sua futura relação com a terra.
Durante os anos 2000, a filosofia de Vigil evoluiu, e ele passou a adotar uma abordagem mais sutil, reconhecendo as sutilezas elegantes dos vinhos. Sob a orientação de Nicolás Catena, ele começou a experimentar com novas combinações, incluindo um blend de Cabernet Sauvignon e Malbec, que rapidamente se destacou pelos altos padrões de qualidade.
"Eu tinha referências de vinhos encorpados, mas descobri a beleza na elegância e nas sutilezas que não conhecia. Isso moldou minha ideia sobre o solo argentino.
A virada em sua carreira se deu quando seu vinho foi reconhecido por críticos internacionais, culminando em uma nota perfeita de Robert Parker para dois de seus rótulos em 2018, um marco para a vinicultura sul-americana.
✨ Ele se dedica a um projeto na Espanha, onde busca criar uma conexão mais próxima com a terra e as vinhas.
Atualmente, Vigil está em busca de expressar a verdadeira identidade do terroir argentino, em vez de lhe atribuir um significado fixo e histórico. Ele continua a trabalhar em uma vinícola em El Reventón, na Espanha, onde mantém uma relação ainda mais íntima com os vinhedos.
Vigil não parou de inovar e, apesar de sua agenda lotada, planeja aproveitar as férias no Brasil para iniciar sua obra literária, que pode capturar sua rica trajetória no mundo do vinho.
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Jornalista especializado em Cultura & Entretenimento

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