ONU alerta: publicidades e IA afetam a integridade da informação
Relatório destaca papel crucial de anunciantes na crise de informação

O recente relatório da ONU aponta que a intersecção entre publicidade, inteligência artificial e desinformação coloca marcas e plataformas no núcleo da atual crise de integridade informativa, sugerindo que decisões sobre mídia e IA moldarão o futuro desse ecossistema.
Publicado em abril de 2026 pelo Departamento de Comunicação Global, o documento intitulado "Fortalecendo a Integridade da Informação: Publicidade, Inteligência Artificial e a Crise Global da Informação" destaca que os anunciantes devem ver a IA não apenas como uma ferramenta, mas como um elemento transformador essencial no cenário de notícias e na democracia.
O que significa a crise global de informação?
A ONU define a integridade da informação como a capacidade das sociedades de acessar conteúdos confiáveis e diversificados, uma condição básica para a participação cívica plena. No entanto, o relatório indica que essa integridade está ameaçada pela crescente dependência da IA e modelos de negócios que priorizam dados e atenção, concentrando poder nas mãos de poucas empresas e permitindo a disseminação em larga escala de desinformação.
✨ A publicidade digital se torna vital para a visibilidade online, revelando novos desafios para a integridade informativa.
Como a publicidade digital opera na era da IA?
O relatório destaca três aspectos da publicidade digital: atenção, escala e opacidade. Na economia da atenção, o tempo dedicado a aplicativos e sites se transforma em uma mercadoria, gerando receitas e incentivando práticas que priorizam o engajamento em detrimento da qualidade do conteúdo.
A previsão é que, em 2025, o mercado de publicidade alcance US$ 1,14 trilhões, com a maioria da receita proveniente de gigantes como Google e Meta. Nesse contexto, a falta de transparência permite que marcas financiem involuntariamente tanto conteúdo legítimo quanto desinformação.
Os desafios da IA na publicidade
A rápida adoção de IA no setor é evidente, e 83% dos executivos afirmam utilizar essas tecnologias em processos criativos, um salto de 60% em apenas um ano. No entanto, a crescente automação gera novas superfícies publicitárias e levanta preocupações quanto à eficácia dos anúncios em comparação com mídias tradicionais.
✨ Mídias tradicionais perdem publicações enquanto sites artificiais se proliferam, colocando a sustentabilidade do jornalismo em risco.
Recomendações para anunciantes
Uma parte crucial do relatório são as recomendações direcionadas à indústria publicitária. A ONU sugere que os anunciantes tratem a integridade da informação como um critério fundamental e não como uma questão secundária de reputação.
- 1Exigir transparência total na cadeia de AdTech, permitindo rastrear cada impressão e seu valor.
- 2Demandar auditorias completas de sistemas de IA que tomam decisões sobre mídia.
- 3Requerer rotulagem clara para conteúdos gerados por IA, incluindo informações sobre seu autor e se passou por verificações.
- 4Revisar os critérios de segurança da marca para não penalizar veículos de conteúdo e compensar por seu uso em IA.
Essas medidas visam aumentar a transparência e a confiança, com evidências indicando que podem melhorar significativamente o retorno sobre investimento ao evitar desperdícios e fraudes.
O papel dos governos e os próximos passos
O relatório também pede que governos integrem a regulamentação da IA em um contexto mais amplo, requerendo transparência e avaliações independentes dos impactos dessas tecnologias. A ONU encerra o documento chamando anunciantes, plataformas e a sociedade civil a adotarem uma abordagem colaborativa para mitigar os impactos da IA na publicidade e melhorar a integridade da informação.
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