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Cultura
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Rã à milanesa: a iguaria que conquista Curitiba e movimenta mercado

Bar do Dante traz rã no cardápio e impulsiona criação no Brasil.

Gabriel Rodrigues28 de abril de 2026 às 21:45
Rã à milanesa: a iguaria que conquista Curitiba e movimenta mercado

O Bar do Dante, situado em uma região nobre de Curitiba, se tornou um sucesso local ao incluir rã à milanesa em seu cardápio, atraindo consumidores em busca de sabores exóticos.

Com carne branca, macia e sabor suave, a rã é servida inteira, acompanhada de um molho especial da casa, e se tornou uma das estrelas do menu, criado para oferecer algo além das opções tradicionais dos bares.

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"Queria colocar algo mais atrativo no cardápio, e funcionou muito bem, pois as pessoas têm curiosidade por ser uma carne exótica", relata Dante Luiz Manfron, proprietário do estabelecimento.

Em operação há 35 anos, o bar introduziu o prato no menu diário em 2002, oferecendo também a versão à passarinho, com preços que variam de R$ 40 a R$ 90.

O preço do quilo da rã pode variar entre R$ 90 e R$ 110, impactando na formação dos preços finais ao consumidor.

Visando atender a demanda crescente pelo produto, o piscicultor Bruno Lotti de Nova Aurora (PR) iniciou um projeto inédito de criação de rãs-touro para abate comercial, investindo R$ 100 mil na iniciativa.

Produção Controlada

O sistema de produção exige rigor no controle ambiental, com temperaturas específicas para girinos e rãs adultas, além de manejo cuidadoso.

Lotti já produz 35 mil girinos, com a meta de aumentar para 50 mil no próximo ciclo. O ciclo de vida do anfíbio, desde girino até o abate, leva em média 12 meses.

A criação de rãs enfrenta desafios, como a necessidade de cuidados específicos para cada fase do crescimento e a qualidade da água, conforme experiências de Wilson Luiz Cantieri, que opera o Ranário Santa Clara em São Paulo.

Com uma produção mensal de três toneladas e um mercado nacional estagnado, Cantieri observa que a demanda se mantém alta, mas a oferta ainda é insuficiente.

De acordo com a Embrapa, o Brasil precisaria aumentar em três vezes sua produção de rãs para atender ao mercado interno.

O último levantamento do IBGE indicou uma produção de 129,3 mil toneladas de rãs no país, o que evidencia a necessidade de iniciativas que fortaleçam a cadeia produtiva.

O projeto Ranicultura em Rede, liderado pela Embrapa, reúne mais de 500 participantes e busca 'democratizar' o consumo da carne de rã, destacando seus benefícios nutricionais.

André Cribb, da Embrapa Agroindústria de Alimentos, vê na ranicultura uma grande oportunidade de crescimento, aproveitando os recursos naturais do Brasil, especialmente na criação da rã-touro.

Além da carne, a rã fornece subprodutos como óleo para cosméticos e pele para tratamentos, mostrando sua versatilidade no mercado.

O setor da aquicultura no Brasil está em ascensão, com políticas públicas sendo discutidas, como o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura, que promete fortalecer a ranicultura no país.

Com oito frigoríficos autorizados e mais em construção, a expectativa é que a produção de rãs siga crescendo, colocando o Brasil entre os principais produtores mundiais, após países como China e Taiwan.

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