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Economia e Futebol: O Medo de Ganhar e a Vontade de Fazer

Reflexões sobre a mentalidade de perda na economia e no esporte.

Gabriel Azevedo25 de junho de 2026 às 17:10
Economia e Futebol: O Medo de Ganhar e a Vontade de Fazer

O renomado técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo, que construiu grandes times ao longo de sua carreira, popularizou a frase: “O medo de perder tira a vontade de ganhar.” Esta ideia, curiosamente, ecoa na mentalidade de muitos economistas, que frequentemente afirmam que 'com menos se consegue mais'.

O mantra dos economistas parece um ciclo vicioso, onde ajustes incessantes são considerados a solução para estabilizar a economia. No entanto, essa busca por um equilíbrio artificial ignora a realidade das dinâmicas de mercado, que revelam um padrão de alternância entre estabilidade e crise.

A falta de vendas cria um efeito cascata que leva à contração do circuito financeiro.

A lógica é simples: quando um comerciante – digamos João – não vende, ele não compra de um fornecedor – José. Isso afeta a produção de outro empresário – Mário –, que acaba dispensando seus trabalhadores. Com menos renda, esses trabalhadores não gastam, reduzindo ainda mais as vendas e assim por diante, levando a uma espiral de declínio econômico.

Diante desse cenário, o dinheiro se torna “escasso”, e os indivíduos se tornam reticentes quanto a gastar, priorizando a segurança financeira. Essa situação gera uma preferência por liquidez, conceito abordado por Keynes, que se torna nocivo ao sistema, provocando crises profundas no setor bancário.

A conexão entre a incerteza econômica e a atividade financeira é evidente. Quando a moeda ativa – aquela que circula para compra de bens – falha, as finanças subjacentes, sejam depósitos ou títulos, também são afetadas.

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“O fato de uma crença exercer bom efeito moral sobre um homem não constitui prova alguma a favor de sua veracidade.”

Bertrand Russell

A analogia entre o futebol e a economia se torna clara. Um time bem-sucedido não é sinônimo de equilíbrio total, mas sim de uma combinação de talento individual e coletivo, algo que a economia convencional ignora ao focar excessivamente na austeridade.

Na verdade, tanto no futebol quanto na economia, a criatividade e o risco são essenciais para o progresso.

Nos últimos 40 anos, o Brasil deixou de crescer sustentavelmente, uma época em que se destacou no cenário internacional. Agora, o medo de tomar decisões ousadas permeia tanto os campos de futebol quanto as instituições econômicas.

Os analistas clamam por austeridade fiscal, mas sem gasto e investimento, o risco de calotes e crises bancárias se torna real. O dinheiro desaparece de circulação, e a economia mergulha em uma recessão profunda.

A metáfora do torneio se aplica não apenas aos esportes, mas também à política e à gestão econômica, onde o medo de agir pode ter consequências drásticas. O dilema persiste: até que ponto essa mentalidade nos impede de triunfar, tanto no futebol quanto na economia?

O medo de ganhar efetivamente impede a vontade de agir. O que precisamos é do inverso: a coragem de investir, tanto em talentos no futebol quanto em inovações na economia.

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