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economia
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FGTS: proposta de uso para dívidas levanta preocupações no setor

Governo estuda liberar R$ 17 bilhões, mas risco é alertado por especialistas

Camila Souza Ramos15 de abril de 2026 às 16:00
FGTS: proposta de uso para dívidas levanta preocupações no setor

A proposta do governo federal de utilizar o FGTS para ajudar trabalhadores endividados está causando alarme no setor produtivo, que vê essa medida como um desvio das funções essenciais do fundo.

O governo considera liberar até R$ 17 bilhões do FGTS para apoiar trabalhadores de baixa renda na quitação de dívidas. Contudo, a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) critica veementemente essa ideia.

Luiz França, presidente da Abrainc, enfatizou que o FGTS deve ser utilizado para saneamento, habitação e infraestrutura, e não para assistencialismo.

Durante o evento INC – Interior Paulista, em Campinas (SP), França apontou que essa retirada de recursos poderia comprometer a construção de cerca de 50 mil novas moradias, agravando o déficit habitacional do país.

O executivo alertou que nos últimos anos o FGTS já sofreu uma drenagem de R$ 140 bilhões, o que limita a capacidade de investimento do governo em projetos habitacionais.

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Retirar recursos do FGTS para assistencialismo fere a lógica de longo prazo do fundo

Luiz França

Roberto Ceratto, diretor de habitação da Caixa Econômica Federal, reconhece os impactos dessa proposta, mas ressalta a robustez do planejamento orçamentário até 2028. Ele garantiu que estudos estão sendo realizados para avaliar a viabilidade e segurança do fundo.

Ceratto expressou confiança de que o governo não deseja prejudicar os programas em andamento, destacando um objetivo ambicioso: alcançar 1 milhão de unidades habitacionais ainda este ano.

Aporte no programa Minha Casa, Minha Vida

Recentemente, foi anunciado um aporte de R$ 20 bilhões para o Minha Casa, Minha Vida, além de outros R$ 50 bilhões do Fundo Social, visando impulsionar a construção de moradias.

Contudo, a Abrainc discorda que esses valores são comparáveis ao impacto potencial da proposta de uso do FGTS, pois os recursos destinam-se a faixas de renda diferentes.

Enquanto isso, no setor de juros, há otimismo generalizado mesmo diante de instabilidades econômicas globais, com Ceratto indicando que o cenário permanece favorável para produção imobiliária em 2026.

Ele observou que a nova direção do Banco Central contribui para um orçamento recorde no SBPE (crédito via poupança), o que promete aquecer o mercado imobiliário com taxas de financiamento estáveis.

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