Candidatura de Lula impacta moeda e provoca mudanças nas estratégias

A dois meses das eleições que ocorrerão em 2026, o mercado financeiro brasileiro começou a ajustar suas expectativas em relação ao real, refletindo a possibilidade de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Este movimento surge após um longo período em que os investidores mantiveram posições compradas na moeda.
Recentemente, o cenário evoluiu de forma significante após a revisão negativa da recomendação do JP Morgan para o Brasil e a exclusão dos papéis da Stone do índice MSCI Brazil. Relatórios de instituições financeiras acentuam que, apesar das altas posições em real, já se observa um processo de desmontagem dessas apostas na medida em que a vantagem de Lula nas pesquisas eleitorais se consolida, aumentando a volatilidade dos ativos locais.
O mercado de títulos públicos está especialmente vulnerável a essas dinâmicas. O Tesouro Nacional percebeu uma dificuldade crescente em negociar papéis atrelados à inflação, como as NTN-B, além dos títulos prefixados. Ao mesmo tempo, investidores demonstram preferência crescente por títulos que seguem a Selic, como as LFTs, reduzindo a exposição a ativos de maior prazo.
✨ O ajuste de posições ocorre em um contexto de incerteza sobre as futuras decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), que atualmente mantém a taxa Selic em 14,00% ao ano.
Em entrevista, Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, garantiu que o governo não enfrenta dificuldades para financiar a dívida pública e que o Tesouro está acumulando liquidez à medida que o ciclo eleitoral se aproxima.
No mercado cambial, os efeitos já são visíveis, com o dólar rompendo a média móvel de 200 dias, situada em torno de R$ 5,20. Isso levou à ativação de ordens automáticas de compra, refletindo um movimento significativo de ajuste no valor da moeda brasileira.
Dados recentes mostram que as posições compradas em real estão no percentil 99 dos últimos dez anos na International Money Market (IMM), enquanto o JP Morgan posiciona o real no percentil 81, destacando-o como a segunda moeda emergente mais adquirida.
À medida que a campanha oficial se inicia, bancos e investidores estão diminuindo suas respectivas exposições ao real e ampliando a busca por dólar e outras moedas emergentes, enquanto o mercado permanece atento às questões da política fiscal após 2026.
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Jornalista especializado em economia

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