Voltar
economia
3 min de leitura

Preços do petróleo caem com tensões entre EUA e Irã

Incertezas diplomáticas impactam o mercado global de petróleo

Camila Souza Ramos06 de abril de 2026 às 10:25
Preços do petróleo caem com tensões entre EUA e Irã

Os preços do petróleo apresentaram queda nesta segunda-feira (6), devido a negociações tensas entre Estados Unidos e Irã. A cautela dos investidores aumenta em meio ao receio de interrupções prolongadas na oferta global da commodity.

Por volta das 9h45 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, utilizado como referência internacional, registrava uma diminuição de 36 centavos, ou 0,33%, caindo para US$ 108,67. Paralelamente, o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, viu uma queda de 0,86%, correspondente a 96 centavos, para US$ 110,58 por barril.

Tensões geopolíticas impactam transporte de petróleo

As oscilações nos preços refletem a incerteza em relação à guerra em curso e às negociações diplomáticas. Recentemente, EUA e Irã analisaram uma proposta preliminar para resolver o conflito, porém, Teerã rejeitou a reabertura iminente do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais vitais para o transporte de petróleo.

A resposta americana não tardou, com o presidente Donald Trump alertando que poderia aplicar severas consequências ao Irã caso um acordo não fosse firmado até o final de terça-feira. Em contrapartida, o governo iraniano estipulou suas próprias demandas em resposta às propostas de cessar-fogo apresentadas por intermediários.

O Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego de petróleo, permanece parcialmente fechado após ataques iranianos a embarcações.

O Estreito de Ormuz é essencial para a passagem de petróleo de países como Iraque, Arábia Saudita, Catar, entre outros. Desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro, a passagem foi severamente afetada, embora alguns navios consigam cruzá-lo nos últimos dias.

Dados recentes indicam que uma embarcação de Omã, um porta-contêiner francês e um transportador de gás japonês conseguiram atravessar a rota, indicando que o Irã possibilita a passagem de barcos de nações com as quais mantém laços diplomáticos mais estreitos.

Mudanças no abastecimento global de petróleo

Ole Hvalbye, analista da SEB Research, destacou que o mercado luta para entender as consequências da atual situação. "A principal notícia do fim de semana foi a passagem de alguns navios pelo estreito", comentou.

A competição no mercado de petróleo tem gerado mudanças significativas no fluxo de abastecimento global, com a Europa perdendo parte das cargas para a Ásia devido à restrição da oferta.

Com as exportações do Oriente Médio em suspensão, refinarias começaram a buscar petróleo em outras regiões, principalmente nos EUA e no Mar do Norte. Isso intensificou a competição por cargas, elevando os preços pagos no mercado à vista para o WTI a níveis nunca vistos antes.

Na Índia, as refinarias até adiaram manutenções programadas para garantir um suprimento adequado de combustível para atender à demanda interna.

Opep+ e respostas ao mercado

Diante desse panorama incerto, a Opep+, que inclui países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, optou por aumentar a produção em 206 mil barris diários a partir de maio, embora o impacto dessa decisão possa ser limitado enquanto as hostilidades devam afetar o comércio global.

"

Os movimentos da Opep parecem enfrentar limitações relacionadas à disponibilidade de exportações

Janiv Shah, analista da Rystad.

Além das tensões no Oriente Médio, o fornecimento de petróleo da Rússia também tem enfrentado interrupções devido a ataques de drones ucranianos a terminais de exportação no Mar Báltico, afetando o ritmo das exportações.

Enquanto isso, as exportações do porto de Tuapse no Mar Negro estão previstas para aumentar, com 794 mil toneladas métricas esperadas em abril.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de economia