Tentativa de promover liderança feminina em meio a seleções históricas

Nesta terça-feira (21), os quatro postulantes ao cargo de secretário-geral da ONU iniciaram suas audiências em Nova York, enquanto o atual líder, António Guterres, se prepara para deixar o posto, encerrando seu segundo mandato.
Os candidatos incluem a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet; o diplomata argentino e atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi; a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan; e o ex-presidente do Senegal, Macky Sall.
✨ O Brasil defende a escolha de uma mulher latino-americana para o cargo.
Desde 2022, o Brasil tem promovido a ideia de que um cidadão da América Latina assuma a liderança da ONU, destacando que deveria ser uma mulher. O país tentou formar um apoio conjunto da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para esta proposta.
A ONU, desde sua criação há 80 anos, teve apenas nove secretários-gerais, todos homens. A pressão para que uma mulher assuma a posição tem aumentado, embora ainda não haja garantias.
O Brasil formalizou, em fevereiro, sua adesão à candidatura de Michelle Bachelet, reconhecendo sua experiência na ONU e seu compromisso com os princípios da organização. O Itamaraty destacou sua habilidade em facilitar diálogos e enfrentar processos políticos difíceis.
Nos discursos, o Ministério das Relações Exteriores tem compartilhado postagens de Bachelet onde ela discute suas propostas para a ONU, caso seja eleita.
Segundo a ONU, o secretário-geral é responsável por liderar o secretariado e as operações globais, apresentar ao Conselho de Segurança assuntos que possam ameaçar a paz internacional, atuar como mediador e porta-voz em crises e implementar decisões dos Estados-membros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido crítico em relação à ONU, argumentando que a instituição perdeu sua influência desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele destaca que países membros do Conselho de Segurança, como EUA e Rússia, estão envolvidos em conflitos, tornando-se "senhores da guerra".
"Lula comentou: "Estamos vendo a ineficácia das Nações Unidas. Seus membros permanentes foram criados para manter a paz, mas estão promovendo guerras."
Michelle Bachelet, médica e socialista, governou o Chile em dois mandatos, de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018, focando em reformas sociais e educacionais. Ela se destacou internacionalmente como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, onde defendeu a democracia e a transparência eleitoral.
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Jornalista especializado em Internacional

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