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Internacional
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Irã alerta sobre novas hostilidades com os EUA após proposta rejeitada

Tensão entre EUA e Irã reemerge com descontentamento sobre negociações

Mariana Souza02 de maio de 2026 às 10:35
Irã alerta sobre novas hostilidades com os EUA após proposta rejeitada

Um comando militar no Irã expressou, neste sábado, 2, que a retomada das hostilidades com os Estados Unidos é uma possibilidade real, após o presidente americano, Donald Trump, manifestar insatisfação com a última proposta apresentada por Teerã para resolver o conflito.

As partes envolvidas têm respeitado um cessar-fogo desde 8 de abril, após um intenso período de quase 40 dias de bombardeios realizados pelos EUA e Israel, além de represálias iranianas às monarquias do Golfo, aliadas dos americanos. Um primeiro ciclo de diálogos diretos aconteceu em Islamabad em 11 de abril, mas não resultou em avanços, uma vez que as divergências permanecem acentuadas, especialmente sobre a cobrança de pedágio para a passagem pelo Estreito de Ormuz e o programa nuclear da Irã.

Tensão aumenta com declaração de Trump sobre ineficácia das negociações.

Recentemente, o Irã enviou uma nova proposta ao governo dos EUA, mediada pelo Paquistão, mas não foram divulgados detalhes sobre seu conteúdo. Sem hesitar, Trump rejeitou a iniciativa, atribuindo a falta de progresso à "tremenda discórdia" interna na liderança iraniana. "Nosso objetivo é decidir se vamos acabar com eles de uma vez por todas ou tentar chegar a um acordo", afirmou o presidente durante uma coletiva.

Mohamad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando militar Jatam al Anbiya, comentou que as chances de um novo conflito com os EUA são altas, afirmando que os americanos não cumprem promessas. "Estamos prontos para qualquer ação imprudente por parte dos EUA", garantiu.

Mudanças nas Hostilidades

Trunfos militares e decisões estratégicas não foram claras. Trump, teoricamente, deveria solicitar autorização do Congresso nesta sexta-feira para a continuação da guerra iniciada em 28 de fevereiro, mas enviou uma carta aos líderes do legislativo, declarando que as hostilidades contra o Irã haviam "terminado." Alguns congressistas democratas, porém, apontaram que a continuidade das forças americanas na região contradiz essa afirmação.

Embora o porta-aviões USS Gerald Ford tenha partido do Oriente Médio, aproximadamente 20 navios de guerra dos EUA permanecem na área, incluindo mais dois porta-aviões. O conflito, que deixou milhares de mortos, afetou profundamente a economia mundial, com os preços do petróleo atingindo um patamar recorde em quatro anos, com o barril de Brent alcançando 126 dólares.

Conflito regional persiste, afetando a economia mundial.

Embora os ataques diretos do Irã tenham cessado, a tensão continua em outros níveis, como no Líbano, onde Israel prossegue com ataques ao Hezbollah, grupo pró-iraniano, mesmo com uma trégua vigente. Os EUA, por sua vez, mantêm bloqueios navais aos portos iranianos, em resposta ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz por Teerã, pelo qual 20% do petróleo e gás do mundo costumavam transitar.

Ações Diplomáticas e Sanções

Na última sexta-feira, o governo americano anunciou novas sanções contra os interesses iranianos e alertou que qualquer pagamento de pedágio a Teerã no Estreito de Ormuz estaria sujeito a penalidades. A situação diplomática também afetou a presença militar dos EUA na Europa, com a retirada de cerca de 5.000 soldados da Alemanha prevista para o próximo ano.

As tensões se refletem na sociedade iraniana, com muitos enfrentando uma realidade de inflação alta e desemprego. Um cidadão chamado Amir comentou que a violência e as novas execuções trazem uma sensação de inquietude. Recentemente, o poder judiciário iraniano executou dois homens acusados de espionagem em favor de Israel, intensificando o clima de tensão em um momento já delicado.

"

"Sinto que estou preso em um purgatório. Os EUA e Israel acabarão nos atacando novamente, enquanto o mundo parece ignorar nossas dificuldades"

Amir.

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