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Internacional
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Irã interrompe negociações após ameaças de Trump sobre ataques

Tensão aumenta em meio a negociações de paz no Oriente Médio

Mariana Souza21 de junho de 2026 às 17:45
Irã interrompe negociações após ameaças de Trump sobre ataques

A delegação do Irã decidiu deixar o local das negociações com os Estados Unidos neste domingo, 21, após o presidente Donald Trump emitir novas ameaças contra o país persa, conforme informou a agência de notícias estatal iraniana, Irna.

Os diálogos, que contavam com a mediação do Paquistão e do Catar, enfrentaram desafios rapidamente, com apenas 80 minutos de discussão seguidos por uma pausa, devido a uma mensagem provocativa postada por Trump. Apesar disso, uma fonte próxima às conversações afirmou à AFP que o Irã ainda está comprometido com o processo de paz e não comunicou intenção de se retirar das conversações.

Ameaças e advertências

Trump, por meio de sua plataforma Truth Social, pediu que o Irã impedisse seus aliados libaneses de criar problemas e não descartou a possibilidade de retomar os ataques ao país caso suas exigências não fossem atendidas. O Irã, por sua vez, aconselhou os Estados Unidos a "medirem suas palavras", refletindo a alta tensão que permeia o início das negociações em busca de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

As negociações visam elaborar um memorando de entendimento para acabar com um conflito que já causou milhares de mortes e impactado a economia global.

O protocolo previamente assinado entre os líderes dos dois países estabelece que ambas as partes devem abster-se de ameaças e do uso da força. As negociações começaram em um hotel nos Alpes suíços, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, liderando a equipe americana, enquanto a delegação iraniana é chefiada por Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento.

Cenário no Líbano

As conversas ocorrem em meio a escalada de confrontos no Líbano entre as forças israelenses e o Hezbollah. Em resposta à situação, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz. De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, as operações israelenses resultaram na morte de 4.106 pessoas desde o início de março, enquanto Israel confirmou a morte de 36 de seus militares.

O porta-voz da chancelaria iraniana alertou que não haverá avanço nas negociações se as hostilidades no Líbano persistirem. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que as forças israelenses continuarão no sul do Líbano pelo tempo que for necessário, enquanto o Hezbollah rejeitou a criação de uma zona de segurança.

Apesar das tensões, o vice-presidente dos EUA destacou que houve 'progressos consideráveis' nos últimos dias para garantir a manutenção do cessar-fogo no Líbano.

Em um sinal de possíveis dissipação de tensões, Israel anunciou que levantará as restrições a aglomerações no norte do país, próximo à fronteira libanesa, a partir de amanhã.

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