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Internacional
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Tribunal israelense prorroga detenção de ativistas por dois dias

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek são acusados de vínculos com organização sancionada

João Pereira03 de maio de 2026 às 11:15
Tribunal israelense prorroga detenção de ativistas por dois dias

Um tribunal em Israel decidiu, neste domingo (3), estender por mais dois dias a detenção do brasileiro Thiago Ávila e do ativista espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos durante uma flotilha que tinha como objetivo romper o bloqueio em Gaza.

Segundo informações da ONG Adalah, ambos são acusados de estarem relacionados a uma organização que é objeto de sanções dos Estados Unidos. A flotilha, que conta com mais de 50 embarcações provenientes de França, Espanha e Itália, pretendia levar suprimentos ao território palestino, devastado por conflitos.

Ativistas detidos foram atacados durante a interceptação.

As forças israelenses interceptaram os barcos em águas internacionais, próximo à costa da Grécia, numa operação que, segundo Israel, resultou na detenção de 175 ativistas. Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram transferidos para Israel para serem interrogados.

Em audiência no tribunal de Ashkelon, localizado a cerca de 60 km de Tel Aviv, o pedido das autoridades israelenses era de uma prorrogação de quatro dias, mas o juiz decidiu por dois. Representantes do governo espanhol e brasileiro descreveram a ação como um "sequestro" e exigiram a imediata liberação dos cidadãos.

Após a decisão judicial, o Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha reiterou sua demanda pela libertação imediata de Abu Keshek, ressaltando que o cônsul espanhol em Tel Aviv acompanhou o ativista durante sua apresentação no tribunal.

Informações da Adalah revelam que Ávila denunciou ter sofrido "brutalidade extrema" durante a interceptação. O ativista relata que foi arrastado e agredido a ponto de desmaiar por duas vezes.

Abu Keshek também estaria sob intenso tratamento, tendo sido amarrado e mantido com os olhos vendados durante o trajeto até Israel. O governo israelense alega que ambos têm laços com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma entidade considerada ilegal pelos EUA por supostamente atuar em nome do grupo Hamas.

Os organizadores da flotilha apontam a interceptação como uma armadilha mortal, destacando que ocorreu a mais de 1.000 km de Gaza. Na última sexta-feira, vários ativistas detidos desembarcaram na ilha de Creta.

Contexto

A Flotilha Global Sumud, que em 2025 já havia atraído atenção internacional, enfrentou uma interceptação semelhante que resultou na detenção e expulsão de centenas de ativistas, incluindo Thiago Ávila.

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