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Justiça
3 min de leitura

Polícia Federal apreende R$ 43 milhões em dinheiro em 10 anos

Estatísticas de operações revelam aumento alarmante de corrupção eleitoral

Carlos Silva02 de junho de 2026 às 19:55
Polícia Federal apreende R$ 43 milhões em dinheiro em 10 anos

Nos últimos dez anos, a Polícia Federal (PF) confiscou mais de R$ 43 milhões em dinheiro em operações direcionadas ao combate de crimes eleitorais no Brasil.

Para ilustrar a magnitude desse montante, se as notas de R$ 100 fossem empilhadas, elas poderiam formar uma torre equivalente à altura de um edifício de 14 andares, total suficiente para a construção de 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Em 2024, as apreensões atingiram um recorde histórico, totalizando R$ 28,6 milhões.

O segundo episódio da série "O valor do voto" da GloboNews destaca que esse valor é 500% superior ao de 2022, quando foram apreendidos R$ 5 milhões, e 1.300% a mais que em 2020, quando o total foi de R$ 2 milhões.

Distribuição das Apreensões

Uma análise abrangente de 1.032 ocorrências registradas pela PF desde 2016 revela que os estados do Rio de Janeiro, Pará e Amazonas respondem por quase metade dos valores confiscados nesse período.

A região Norte é a líder entre as apreensões, com R$ 18 milhões, seguida pelo Nordeste (R$ 12,8 milhões) e pelo Sudeste (R$ 10 milhões).

Casos Notáveis

Um dos casos mais impactantes ocorreu em Manaus, onde os empresários Francisco Timoteo Castro e seu filho Victor Hugo foram presos ao sacar R$ 3 milhões em espécie em uma agência bancária. Eles pertencem a uma família com contratos em setores públicos de fornecimento de livros.

Após confessarem a prática de 'caixa 2' para firmar um acordo, ambos passaram a negar as acusações e o montante foi devolvido pela Justiça.

Outro caso aconteceu em São Lourenço do Piauí, onde o então prefeito eleito Bira Damasceno usou uma rádio para agradecer publicamente pela ajuda na campanha, confessando que gastos de R$ 1 milhão foram utilizados, enquanto seu grupo político movimentou um total de R$ 4 milhões.

Mesmo após a cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em abril de 2023 por irregularidades, Bira permanece influente como chefe de gabinete do atual prefeito.

Impacto Social da Corrupção

Enquanto milhões são utilizados de forma ilegal nas campanhas, a infraestrutura das cidades continua a sofrer com as consequências. Em São Lourenço do Piauí, por exemplo, menos de 1% das residências tem acesso a esgoto e servidores enfrentam atrasos salariais.

Especialistas assinalam que o dinheiro envolvido geralmente procede de fraudes em licitações e desvios em obras, sendo cada vez mais vinculado ao crime organizado.

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A corrupção pré-eleitoral gera uma dinâmica de recuperação financeira pós-eleição, o que transforma a eleição em um ciclo vicioso de corrupção

Promotor Guilherme Franchi.

Para a promotora Gabriela Almeida, o comportamento dos candidatos durante as campanhas é crucial para prever a administração futura, ressaltando a importância de uma escolha consciente pelos eleitores.

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