Escala 6x1 desafia conceitos de produtividade e liderança no Brasil
Debate revela novas diretrizes sobre desempenho e engajamento nas empresas

O debate em torno da jornada semanal 6×1 no Brasil está revelando questões fundamentais sobre como as empresas definem e avaliam a alta performance. A consultoria Hogan Assessments destaca que a discussão ultrapassa a simples contabilização de dias de trabalho, levantando questões sobre produtividade sustentável.
Alise Dabdoub, diretora de inovação de produtos da Hogan Assessments, afirma que este momento oferece uma chance para as organizações reavaliarem as premissas que têm norteado sua gestão por décadas. 'A questão do 6×1 não é só sobre menos horas de trabalho. É sobre como criar ambientes que promovam desempenho, engajamento e responsabilidade, minimizando a pressão constante', afirma.
✨ A produtividade não está apenas nas horas, mas na recuperação e suporte aos funcionários.
Mais horas não são sinônimos de mais resultados
Por muito tempo, longas jornadas foram vistas como sinônimo de comprometimento. Contudo, estudos em psicologia organizacional demonstram que resultados sustentáveis dependem de fatores como recuperação e a qualidade da liderança. 'As empresas estão percebendo que produtividade envolve muito mais do que a quantidade de horas, é sobre como os colaboradores lidam com a pressão', diz Dabdoub.
Liderança e design do trabalho
De acordo com a Hogan, o planejamento do trabalho é essencialmente uma atribuição dos líderes. Mudanças nas jornadas e nas cargas de trabalho exigem gestores que consigam equilibrar responsabilidades sem perder a clareza no alcance de resultados. 'O futuro do trabalho não se limitará a jornadas mais curtas, mas à habilidade dos líderes em criar modelos de trabalho sustentáveis', complementa a diretora.
Diversidade nas reações à pressão
Pesquisas da consultoria demonstram que profissionais reagem de maneira variada às pressões no ambiente de trabalho. Indivíduos com estabilidade emocional e resiliência tendem a apresentar menos ansiedade e maior envolvimento, ao passo que aqueles com perfis mais reativos enfrentam experiências negativas em situações estressantes. 'Não existe um modelo único para todas as empresas; as realidades dos funcionários são diversas', afirma Dabdoub.
O que os colaboradores realmente valorizam
Um estudo recente da Hogan revelou um descompasso entre as qualidades que favorecem a ascensão de líderes e as características que os funcionários realmente valorizam. Embora executivos sejam frequentemente destacados por competitividade e assertividade, colaboradores priorizam habilidades de comunicação, integridade e boa tomada de decisões. No Brasil, 61% dos participantes destacaram a colaboração como uma qualidade essencial nos líderes.
O valor da confiança no futuro do trabalho
A Hogan acredita que as empresas que prosperarão não serão aquelas que simplesmente reduzirem jornadas, mas aquelas que redesenham intencionalmente as formas de trabalho. 'O desafio é criar ambientes onde desempenho e bem-estar coexistam de modo sustentável', conclui Dabdoub.
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