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Raízen conclui maior reestruturação de dívida do Brasil com 75% de adesão

Acordo da Raízen permite transformação do grupo em controlador após negociações intensas.

Carlos Silva06 de junho de 2026 às 13:40
Raízen conclui maior reestruturação de dívida do Brasil com 75% de adesão

A Raízen finalizou um acordo histórico de reestruturação de dívidas que soma R$ 65 bilhões, alcançando a adesão de aproximadamente 75% de seus credores, pouco antes do prazo limite de homologação judicial fixado para 8 de junho de 2026.

Negociações desafiadoras

O processo envolveu uma complexa negociação entre a empresa e um diversificado grupo de credores, que incluía tanto grandes instituições financeiras quanto pequenos investidores detentores de Certificados de Recebíveis Agrícolas. A busca pela aprovação do plano foi marcada por intensos debates, com a Raízen tentando evitar uma recuperação judicial.

A Raízen optou por converter 45% da dívida em participação acionária, um ponto inicialmente contestado que se tornou consenso para garantir o acordo.

Desde o início, a Shell e a Cosan, que controlam a Raízen, tiveram papéis cruciais nas negociações. A Shell manteve sua posição intransigente sobre o aporte de R$ 25 bilhões, que foi reduzido para apenas R$ 3,5 bilhões. A Cosan também se recusou a participar de novos investimentos, focando em sua própria desalavancagem.

Mudanças planejadas na estrutura da empresa

Após a finalização da reestruturação, a Raízen será dividida em duas unidades operacionais: Raízen Energia, que englobará as operações de etanol, açúcar e bioenergia, e Raízen Combustíveis, focada na distribuição. A proposta de cisão, inicialmente apresentada pelo BTG, foi um ponto importante nas negociações que agora se concretiza.

Contexto adicional

A conversão de dívidas em ações gera precedentes no mercado, com episódios similares em empresas como Casas Bahia e Braskem, onde instituições financeiras tomaram controle por meio de reestruturações semelhantes.

Além disso, a adaptação das taxas de juros da dívida remanescente colaborou para a reativação das negociações. A Raízen ajustou a taxa de 7,5% para 8%, o que ajudou a atrair os credores de volta à mesa, facilitando a condução do acordo.

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