Construtoras em risco: 125 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida ameaçadas
A alta dos insumos e a defasagem de repasses comprometem obras no Nordeste

A situação das construtoras está crítica, com o impacto da inflação nos insumos essenciais colocando em risco a entrega de mais de 125 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida nas regiões Norte e Nordeste.
Um relatório do FNNIC, em parceria com a BCB Inteligência em Dados, revela que cerca de R$ 14,5 bilhões em investimentos estão sob ameaça devido à inviabilidade financeira dos contratos atuais, exacerbada por um aumento significativo nos preços dos materiais de construção.
✨ A inflação nos insumos básicos está estrangulando o orçamento das construtoras, afetando a continuidade das obras.
O panorama se agravou no início de 2026, após reajustes simultâneos em itens fundamentais, como o cabo de cobre (alta de 64%) e a tela soldada (54,1%). No mesmo contexto, o aumento nos tubos de PVC foi de 33,2%. Esses índices revelam a profunda desproporção entre o reajuste de 3,53% aplicado nas grandes cidades do Nordeste e o acréscimo de 14,3% no custo real dessa região.
Desafios e Intervenções Necessárias
Marcos Antônio C. Buarque de Holanda, presidente do FNNIC, destaca a urgência de uma intervenção rápida para assegurar a continuidade das obras: "É vital que os preços sejam readequados para que as construções em andamento cumpram os prazos estabelecidos".
""O aumento inesperado dos preços devido a fatores externos, como a guerra no Irã, afeta diretamente os insumos usados na construção e, consequentemente, o programa Minha Casa, Minha Vida"
Bruno Cantalupo, diretor da BCB, ressalta que a suspensão do programa teria consequências prejudiciais não apenas para o setor habitacional, mas para toda a economia de várias localidades. "O Minha Casa, Minha Vida vai além de um simples programa de habitação, atuando como um pilar fundamental para a construção civil voltada à população de baixa renda, além de ajudar a reduzir o déficit habitacional nesta região".
✨ A distorção no modelo atual resulta em cidades com maiores dificuldades operacionais recebendo menos recursos, o que, paradoxalmente, afasta novos investimentos nos locais de maior necessidade.
Para evitar um colapso no programa, a pesquisa sugere ao Ministério das Cidades a implementação imediata do Índice de Reajuste MCMV FAR. Este índice seria formado por 50% do INCC-DI, 30% do CUB regional e 20% do IPCA, para que os valores das moradias reflitam a realidade do mercado.
Embora o reequilíbrio necessite de um aporte de R$ 2,57 bilhões, o estudo propõe que o retorno em termos sociais e econômicos superaria esse investimento, preservando cerca de R$ 5,67 de cada R$ 1,00 alocado ao reequilíbrio.
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