Investigação sobre compra de votos quase quadruplicou em 8 anos

O Brasil viu um aumento alarmante nas investigações relacionadas à corrupção eleitoral, com a Polícia Federal abrindo mais de 7.600 inquéritos sobre compra de votos na última década.
Um levantamento exclusivo da GloboNews, baseado em dados da Polícia Federal obtidos pela Lei de Acesso à Informação, evidencia que o número de investigações disparou em quase 20 vezes entre as eleições municipais de 2016 e 2024. Em 2016, foram registrados apenas 117 casos, enquanto o número saltou para 2.283 nas últimas eleições.
✨ Mais de 7.600 inquéritos sobre compra de votos foram iniciados pela Polícia Federal nos últimos dez anos.
Apesar dos avanços tecnológicos, como as urnas eletrônicas e o sistema de biometria, a prática da compra de votos persiste no Brasil. Desde a década de 1980, casos históricos mostram a troca de votos por vantagens materiais, uma prática que se tornou um 'vício' na democracia brasileira. Em 1982, por exemplo, eleitores em Belém trocavam seus títulos eleitorais por 'cartões de Natal'.
As investigações revelam a existência de um 'mercado' negro que explora a vulnerabilidade dos eleitores. Além de dinheiro, as ofertas incluem serviços médicos, alimentação, materiais de construção, e até itens de consumo como botijões de gás e cerveja. Promessas de empregos e benefícios públicos também são comuns, configurando um cenário complexo de corrupção.
✨ O crime de compra de votos é predominante em áreas do interior e regiões metropolitanas.
Os dados da Polícia Federal indicam que apenas 15% dos inquéritos sobre compra de votos ocorrem em capitais. A maioria se concentra em municípios menores e regiões metropolitanas, abrangendo quase 30% do total no Brasil. Segundo a procuradora Nathalia Mariel, a proximidade social em cidades menores facilita as transações ilegais.
Dentre os casos investigados, destacam-se episódios no Paraná. O vereador Walter Fernandes Martins, conhecido como Tenente Martins, teve seu mandato cassado após revelações de práticas ilegais em seu comitê, incluindo a ocultação de dinheiro em livros. Em outro caso, a vereadora Priscilla Albano foi condenada por oferecer pagamentos a famílias vulneráveis através de um programa social.
✨ As consequências da venda de votos afetam diretamente a qualidade das políticas públicas.
A cientista política Rita Biason do Instituto Não Aceito Corrupção, ressalta que a venda dos votos impacta a eficácia das políticas públicas, afetando a saúde e infraestrutura das comunidades. Além disso, a legislação determina penas para a compra e venda de votos, incluindo prisão e multas, além da possibilidade de cassação de mandato.
Walter Fernandes Martins negou as acusações e lembrou que, apesar da cassação, completou seu sexto mandato enquanto aguardava o julgamento de seus recursos. A reportagem também buscou contato com os advogados da vereadora e da assistente social envolvidas, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.
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Jornalista especializado em Política

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