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política
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Dependência da China não melhora confiança política na fronteira agrícola

Estudo da FGV revela desconfiança em relação à China entre produtores de grãos.

Camila Souza Ramos22 de junho de 2026 às 12:00
Dependência da China não melhora confiança política na fronteira agrícola

Uma pesquisa conduzida pela FGV RI indicou que, apesar da forte dependência comercial do Brasil em relação à China, a confiança política da população da região produtora de grãos é maior nos Estados Unidos. Este estudo abrangeu municípios do Centro-Oeste e do Norte do Brasil no fim de 2025.

21,8% dos entrevistados veem os EUA como 'muito confiáveis' enquanto apenas 12,6% confiam na China.

Os resultados destacam que a confiança na China caiu drasticamente desde 2017, mesmo com a expansão contínua das relações comerciais. Matias Spektor, diretor da FGV RI, destacou que a pesquisa revela que a confiança política e a dependência econômica estão dissociadas: 'A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente.'

Percepções sobre a União Europeia

O estudo também investigou como os brasileiros veem as exigências ambientais impostas pela União Europeia. A maioria dos participantes reconheceu os benefícios do cumprimento dessas normas, mas expressou preocupações sobre os custos econômicos que podem resultar de sua implementação.

74,3% acreditam que o cumprimento das exigências ambientais melhoraria a reputação internacional do Brasil.

Por outro lado, 66,9% temem que essas regulamentações diminuam a competitividade dos produtos brasileiros, enquanto 61,5% opinam que as regras ambientais da UE servem primariamente aos interesses econômicos do bloco.

Perfil político da região

O levantamento do FGV RI também revelou que 83,5% dos entrevistados se identificam como de direita ou centro, com apenas 16,5% se posicionando à esquerda. Ademais, 55,9% acham que o governo interfere excessivamente na vida cotidiana e 64,3% acreditam que a regulação estatal causa mais danos do que benefícios.

"

Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região

Matias Spektor.

Essas avaliações moldam como a população da região percebe potências como os Estados Unidos, a União Europeia e a China. Vale destacar que a crescente importância eleitoral da fronteira agrícola pode influenciar as decisões políticas relacionadas à política externa, dado que essa região representa cerca de 15% do eleitorado brasileiro.

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