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política
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Disputa entre PDT e PT no Rio Grande do Sul ameaça unidade na eleição

Conflito interno pode levar Lula a intervir nas candidaturas

Giovani Ferreira07 de abril de 2026 às 10:25
Disputa entre PDT e PT no Rio Grande do Sul ameaça unidade na eleição

A disputa dentro da esquerda no Rio Grande do Sul se agravou nesta segunda-feira, 6, com o confronto entre a pré-candidata do PDT ao governo estadual, Juliana Brizola, e o pré-candidato do PT, Edegar Pretto. Essa tensão envolve estratégias electorais e a formação de alianças para 2026, criando um cenário de possibilidade de intervenção do presidente Lula para unificar as candidaturas.

A direção nacional do PT propõe apoiar Juliana Brizola, que está melhor posicionada nas pesquisas, enquanto a liderança estadual mantém o apoio a Pretto, cuja candidatura já foi aprovada e conta com o suporte de aliados. Em uma tentativa de aliança, Juliana expressou disposição em ceder a vice e apoiar os dois candidatos do PT ao Senado na sua chapa.

A crise se intensificou após a publicação de manifestos que revelam as divisões nas estratégias eleitorais.

Juliana Brizola lançou um manifesto defendendo a unidade e a formação de um palanque único para Lula no estado, argumentando que a fragmentação poderia prejudicar o desempenho nas urnas. Ela acredita ter as melhores condições para vencer, especialmente no segundo turno das eleições.

O manifesto também assinalou a saída do PDT do governo estadual, indicando que essa decisão faz parte da construção de uma alternativa eleitoral. O documento afirma que essa saída é necessária para estabelecer uma proposta coerente que priorize o desenvolvimento econômico e a justiça social.

Aliados de Edegar Pretto não ficaram parados e responderam com um contra-manifesto, onde líderes de partidos como PT, PSOL, PSB, PV e Rede expressaram suas preocupações sobre a possível retirada da candidatura petista. O texto demontra que tal mudança poderia levar à desmobilização e frustração entre a base social.

Ainda, os signatários criticam o histórico político do PDT, afirmando que substituir Pretto por Juliana seria trocar uma candidatura alinhada com Lula por outra que, segundo eles, não apoiou adequadamente as ações do governo federal.

Edegar Pretto, por sua vez, tem reafirmado sua candidatura, enfatizando que está comprometido com o projeto nacional do PT. "Não sou candidato de mim mesmo, sou um defensor das tarefas coletivas", declarou, reforçando que sua estratégia seria a mais favorável ao partido.

Com o acirramento do conflito, a cúpula nacional do PT está aumentando a pressão sobre o diretório estadual. O presidente Edinho Silva defende abertamente a aliança com o PDT, alertando que a manutenção de dois palanques pode resultar em danos eleitorais significativos.

Caso não haja um acordo, é possível que a liderança nacional intervenha diretamente no diretório gaúcho, uma decisão que dependeria do consentimento do presidente Lula, que busca consolidar uma base unida para a sua reeleição. Embora considerada uma medida extrema, essa intervenção está ganhando apoio devido ao risco de fragmentação, que pode provocar novas divisões entre os progressistas, como a possível candidatura própria do PSOL.

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