Retorno do fujimorismo ao poder após mais de 20 anos.

Keiko Fujimori, candidata de direita, é considerada a vencedora da eleição presidencial no Peru, superando seu concorrente de esquerda, Roberto Sánchez, em uma votação que se destacou pela intensa disputa.
Com 99,86% dos votos contados, a candidata tinha 50,118% dos sufrágios, enquanto Sánchez obteve 49,882%, de acordo com dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). Isso representa uma diferença de mais de 43 mil votos, uma vantagem que não pode ser revertida, dado que aproximadamente 39.300 votos ainda precisam ser apurados.
Sánchez declarou que não aceitará um possível governo de Fujimori, argumentando que o processo eleitoral foi comprometido, especialmente no que diz respeito aos votos do exterior, que somam cerca de 300 mil e favoreceram a direita. Ele pretende recorrer a instâncias internacionais enquanto lidera uma mobilização em Lima.
✨ O Júri Nacional de Eleições (JNE) rejeitou o pedido de nulidade de votos feitos no exterior, alegando que a solicitação era tardia.
Luis Galarreta, candidato a vice-presidente pelo partido de Fujimori, Força Popular, ressaltou que apenas as autoridades eleitorais têm a prerrogativa de validar os resultados e lamentou a postura de Sánchez, alertando sobre as possíveis repercussões de uma negação do resultado.
A campanha foi marcada por divisões profundas entre os candidatos. Fujimori conquistou apoio principalmente nas áreas urbanas e costeiras, ao passo que Sánchez se destacou nas regiões rurais andinas. A insegurança e o crime organizado foram temas centrais, com pesquisas indicando que 70% da população eleitora esperam que a nova administração priorize esses temas.
Sánchez, por sua vez, focou no fortalecimento das instituições e na redução das desigualdades sociais como principais pontos de sua plataforma. A influência do passado do fujimorismo, que foi marcado por uma administração autocrática durante a década de 1990, continua a ser um tema controverso na política peruana.
A eleição ocorre em um cenário de instabilidade política no Peru, que desde 2016 já teve oito presidentes. O novo eleito assumirá o cargo em 28 de julho, sucedendo o presidente interino José María Balcázar por um mandato de cinco anos.
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