Marcha para Jesus em SP une políticos e fé em evento polarizado
Políticos de direita marcam presença na manifestação religiosa

No feriado do Corpus Christi, 4 de junho de 2026, São Paulo acolheu a Marcha para Jesus, evento organizado pelo casal Estevam e Sônia Hernandes, líderes da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. A participação de políticos, principalmente de direita, destaca a intersecção entre fé e política na atualidade.
Entre os políticos presentes, estava o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato a uma nova eleição. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também participou, simbolizando uma presença mais discreta, mas representativa do governo atual.
✨ A Marcha para Jesus deste ano foi marcada por um tom eleitoral, refletindo a polarização política no país.
Durante a Marcha, Flávio Bolsonaro fez um discurso que misturou religião e política, enfatizando uma suposta 'guerra espiritual' entre o bem e o mal. Ao se dirigir aos participantes, afirmou: 'Vamos orar pelo nosso Brasil', reforçando a ideia de que a luta se dá em um plano espiritual, menciona um desejo de expulsar o 'mal' do governo.
Flávio, com tons proselitistas, sugeriu em seu discurso que não apenas orações, mas votos seriam essenciais para a mudança desejada. Essa retórica, que caracteriza as manifestações do bolsonarismo, convoca os fiéis a verem a oposição como uma força maléfica, o que acarretaria uma deslegitimação do debate democrático.
O discurso da primeira-dama em 2022, Michelle Bolsonaro, ecoou essa visão, ao afirmar que a administração do governo anterior estava 'consagrada a demônios'. Ela e outros aliados articulam uma narrativa que polariza a política, apresentando adversários como obstáculos a uma suposta ordem divina.
Tal abordagem não só fere os princípios democráticos, mas também aprofunda a divisão na sociedade. A retórica de guerra espiritual adota uma perspectiva que legitima a hostilidade, dificultando o diálogo entre diferentes ideologias.
"A guerra espiritual proposta pelo bolsonarismo sugere que os adversários não são apenas opositores políticos, mas entidades demoníacas a serem combatidas.
Essa perspectiva extreme torna a convivência democrática um desafio, pois autoriza a marginalização e a perseguição de visões diferentes, transformando o debate em um campo de batalha ideológico, onde a violência, até mesmo a simbólica, pode ser considerada aceitável.
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