Trump acusa China de interferir nas eleições de 2020, afeta trégua
Novas alegações do ex-presidente dos EUA podem complicar relação com Pequim

Donald Trump declarou que a China teria interferido nas eleições de 2020 nos EUA, um desdobramento que pode impactar sua delicada relação com o presidente Xi Jinping. As acusações surgem em um momento crítico, com uma cúpula planejada para ocorrer em Washington nos próximos meses.
Na quinta-feira, em uma transmissão ao vivo, Trump voltou a divulgar teorias da conspiração relacionados à segurança eleitoral e suas preocupações com a integridade do voto. Esse movimento é parte de sua estratégia de transformar a segurança eleitoral em um tema central para as próximas eleições ao Congresso.
✨ Trump afirmou que a suposta obtenção de dados de eleitores americanos pela China representa uma ameaça sem precedentes para a segurança eleitoral.
A resposta da China foi rápida, desdenhando das declarações de Trump como 'invenções'. Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, afirmou que as alegações americanas são infundadas e maliciosas. Liu Chang, representante da embaixada chinesa, já havia afirmado anteriormente que a China nunca interferiu nas eleições dos EUA.
Trump, que frequentemente elogia sua relação com Xi, voltou-se contra a liderança chinesa, alegando que o governo de Pequim queria que ele perdesse a eleição. Essa retórica contrasta com seus comentários mais amistosos feitos nos meses anteriores.
Analistas apontam que o discurso pode complicar a trégua que havia sido acordada para amenizar a guerra comercial entre EUA e China. A batalha teve um ponto de virada em outubro, quando Trump recuou em suas tarifas ao perceber os riscos que elas representavam para sua indústria.
Além disso, durante seu discurso, Trump pressionou o Congresso a aprovar legislação que exigiria mais comprovações de identidade para votar, apesar de a fraude eleitoral ser uma ocorrência rara nos EUA. Essa questão permanece travada no Senado devido à forte resistência dos democratas.
Essa rápida defesa de Trump sobre as alegações de fraude se insere em uma estratégia política mais ampla, que visa preparar o terreno para futuras disputas eleitorais, se seu partido enfrentar derrotas em novembro.
"As alegações são deliberadamente falsas e têm como intuito enfraquecer a confiança nas eleições. - Senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado.
Contexto
De acordo com um relatório da inteligência americana de 2021, não há evidências de que qualquer agente estrangeiro, incluindo a China, tenha tentado manipular os resultados das eleições de 2020.
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