Russos recorrem a VPNs para driblar bloqueios e monitoramento
Adoção de redes privadas virtuais cresce com restrições do governo.

Em meio a um ambiente digital severamente controlado, os cidadãos russos estão cada vez mais utilizando redes privadas virtuais (VPNs) para acessar aplicativos como o WhatsApp, bloqueado no país. Esse uso crescente reflete a crescente resistência da população contra as restrições impostas pelo governo de Vladimir Putin.
Mudanças no comportamento online
Uma designer de interiores, que preferiu não ser identificada, exemplifica a nova rotina de muitos russos: alternar entre diferentes dispositivos e VPNs para contornar os bloqueios. Após usar a VPN para se comunicar com amigos fora da Rússia, ela desativou o serviço para acessar sites restritos e, em seguida, utilizou um celular à parte para comunicações seguras com clientes através do aplicativo estatal.
Desde que o Kremlin intensificou o controle da internet em 2026, o uso de soluções como VPNs disparou. Dados indicam que em março foram realizados 9,2 milhões de downloads dos cinco principais serviços de VPN disponíveis, um aumento explosivo em comparação ao ano anterior.
✨ O uso de VPNs pelos russos subiu de 23% em 2022 para 36% em 2026.
Reações à repressão digital
As limitações na internet têm gerado frustração generalizada, não apenas entre a população em geral, mas também entre influenciadores e líderes de opinião. A crítica à política digital do governo se intensificou, especialmente com o aumento dos preços e as consequências da guerra na Ucrânia, resultando em uma queda na popularidade de Putin.
Embora as autoridades tenham promovido aplicativos nacionais como o MAX, muitos usuários desconfiam de sua segurança e preferem usar serviços que consideram menos arriscados. Irina, a designer, comentou: ‘É uma tremenda dor de cabeça, mas o que podemos fazer?’
Contexto Adicional
A pressão sobre a internet na Rússia aumentou conforme o governo intensificou as medidas de controle, ligando o uso de ferramentas de privacidade a práticas consideradas anti-estatais.
O cenário atual
A política rigorosa de controle da internet implementada pelo Kremlin inclui a desativação temporária de serviços em regiões específicas e o bloqueio de plataformas consideradas perigosas. Com a aproximação das eleições parlamentares, o governo enfrenta a crítica de que esses bloqueios podem impactar a segurança e a eficácia do processo eleitoral.
"‘Mesmo sem fazer nada de errado, ninguém deseja que suas conversas sejam monitoradas pelo FSB’
Diante dessa situação, muitos cidadãos continuam a adotar métodos para proteger sua privacidade online. As tensões em torno da liberdade digital permanecem, evidenciando a luta contínua entre o desejo de liberdade e as imposições do governo.
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