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Trabalho
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Empresas enfrentam dificuldades para contratar com fim do home office

Estudo revela que modelo presencial dificulta a atração de talentos

Gabriel Azevedo07 de abril de 2026 às 13:35
Empresas enfrentam dificuldades para contratar com fim do home office

O encerramento do home office não tem levado à demissão em massa, mas vem criando obstáculos para a contratação de novos funcionários. Essa é a principal conclusão do relatório 'Tendências de RH', realizado pela consultoria Korn Ferry, que examina a gestão de pessoas no Brasil e internacionalmente.

Segundo a pesquisa, 52% das empresas brasileiras não notaram um aumento significativo nas demissões voluntárias após a implementação de um modelo totalmente presencial ou com dias limitados de trabalho remoto. No entanto, o mesmo percentual afirmou que a exigência de presença física maior dificulta a atração de novos talentos, especialmente em setores altamente competitivos.

Apesar das pressões para o retorno ao escritório, o modelo remoto e híbrido ainda é visto como vantajoso para retenção e desempenho, especialmente nas áreas de tecnologia.

A vice-presidente de Projetos de Aquisição de Talentos da Korn Ferry, Aline Riccio, enfatiza a resistência de muitas organizações em aceitar a mudança de paradigma. Ela aponta que modelos de trabalho mais flexíveis aumentam a autonomia dos trabalhadores e requerem que as empresas desenvolvam processos mais robustos para manter a cultura organizacional e engajamento.

Riscos de Desigualdade Interna

Riccio destaca que o principal desafio não reside na escolha entre os modelos remoto ou presencial, mas na inconsistencia das políticas internas. 'Quando as regras variam de um departamento para outro, a cultura da empresa se fragmenta. Para evitar esse efeito, a necessidade de presença física deve ter um propósito definido e critérios claros', afirma.

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O maior risco não é o modelo, é a desigualdade percebida

Aline Riccio

Impacto da Flexibilidade

48% das empresas acreditam que a flexibilidade no trabalho contribui para a retenção de colaboradores. O modelo híbrido, que combina três dias de trabalho no escritório com um dia fixo de home office, está entre as políticas mais eficazes.

Atualmente, a pesquisa indica que 51% das empresas adotam o modelo híbrido com dias fixos no escritório, enquanto 31% operam de forma totalmente presencial e 16% preferem um híbrido com presença opcional. A flexibilidade de horário está presente em 65% das organizações e deverá continuar a ser uma estratégia para 2026.

Dos últimos 12 meses, 75% das empresas mantiveram suas políticas de trabalho remoto. No entanto, 25% delas fizeram ajustes, com 71% optando por reduzir os dias de home office e 24% implementando um modelo 100% presencial. Apenas 6% aumentaram o número de dias de trabalho remoto.

Futuro do Trabalho Híbrido

Para o futuro próximo, 64% das empresas que não mudaram suas políticas recentemente não têm planos de alteração. Entre aquelas que pretendem revisar seu modelo, a maioria prevê uma nova diminuição dos dias remotos, com nenhuma sinalizando intenção de voltar ao modelo totalmente presencial.

A rigidez nas políticas pode se tornar uma desvantagem em mercados competitivos, especialmente na área de tecnologia, onde a flexibilidade é um requisito importante para atração e retenção de talentos.

Concluindo, o estudo reforça que o modelo híbrido está se consolidando como padrão, sendo utilizado de forma mais intencional para experiências de colaboração e integração. A empresa deve direcionar suas decisões com base em dados de desempenho e engajamento dos funcionários.

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