Voltar
agricultura-sustentavel
2 min de leitura

Aumento do preço do enxofre afeta custo do Superfosfato Simples

Mercado de fertilizantes enfrenta novos desafios devido à alta do insumo

Ricardo Alves06 de maio de 2026 às 02:00
Aumento do preço do enxofre afeta custo do Superfosfato Simples

O recente aumento do preço do enxofre no mercado internacional está impactando diretamente a competitividade do Superfosfato Simples (SSP), um fertilizante amplamente utilizado no Brasil.

Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, destaca que a alta do enxofre, que chegou a US$ 1.000 por tonelada, altera significativamente os custos de produção do SSP.

O enxofre é um componente essencial para a produção do SSP, representando uma parte significativa do custo final.

Tradicionalmente, o SSP se destacou entre os agricultores brasileiros por combinar fósforo solúvel, cálcio e enxofre, oferecendo um custo acessível e boa adaptação a diversas práticas agrícolas. No entanto, com a disparada do preço do enxofre, essa vantagem competitiva está sendo reavaliada.

Para produzir uma tonelada de SSP, são requeridos de 300 a 350 quilos de enxofre. Assim, com o insumo custando US$ 1.000, o gasto com enxofre por tonelada de SSP varia entre US$ 300 e US$ 350, pressionando a viabilidade econômica e podendo levar à redução ou fechamento de fábricas, como a Mosaic já indicou.

Esse cenário remete à crise de 2008, quando o preço do enxofre também aumentou drasticamente, prejudicando a indústria, que enfrentou estoques elevados e resultados financeiros negativos por meses. A volatilidade dos preços é uma preocupação central, pois os preços do enxofre historicamente variaram bastante, passando de valores baixos em torno de US$ 20 a US$ 50 entre 2000 e 2007, para picos de até US$ 800 em 2008.

Nos últimos anos, especialmente entre 2020 e 2022, o preço do enxofre subiu de US$ 80 para US$ 400 devido à pandemia, interrupções logísticas e ao conflito na Ucrânia. Após flutuações entre US$ 100 e US$ 180, o valor do enxofre atingiu US$ 1.000 em 2025.

Com essa nova realidade, agrônomos e produtores estão se voltando para fontes de fósforo mais concentradas e alternativas, como MAP, fosfatos reativos e fosfatos naturais. Além disso, um manejo mais eficaz se torna necessário, exigindo solos bem corrigidos e um uso mais estratégico de calcário.

Embora o SSP permaneça no mercado, ele perdeu parte da competitividade que o caracterizou anteriormente, exigindo adaptações por parte dos agricultores para manter a produtividade.

Não perca nenhuma notícia!

Receba as principais notícias e análises diretamente no seu email. Grátis e sem spam.

Ao assinar, você concorda com nossa política de privacidade.

Gostou desta notícia? Compartilhe!

Mais de agricultura-sustentavel