Cultivar de gengibre 'Imigrante' é a primeira registrada no Brasil
Variedade desenvolvida no Espírito Santo tem alta produtividade.

A cultivar de gengibre chamada 'Imigrante', desenvolvida pelo agricultor Alexandre Lemke Belz no Espírito Santo, é a primeira do Brasil a ser registrada. Com uma produtividade que alcança 145 toneladas por hectare em manejo orgânico, supera em muito a média estadual de 60 toneladas.
O reconhecimento da cultivar
A variedade, lançada oficialmente em 17 de julho, homenageia os pioneiros que ajudaram a desenvolver a região serrana do Espírito Santo, maior produtor e exportador de gengibre no país. O Sítio Hort Belz, localizado em Santa Leopoldina, será o primeiro a oferecer mudas certificadas.
✨ Alexandre dedicou 14 anos ao aprimoramento da cultura do gengibre, buscando plantas mais produtivas e resistentes a doenças.
Sua longa jornada começou com a seleção de abelhas, verduras e cafés, até focar no gengibre a partir de 2009. Desde então, ele trabalhou arduamente para identificar variedades que oferecessem resistência a problemas como nematoides e fusariose.
Parcerias para a inovação
Em novembro de 2021, a colaboração com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) foi decisiva. Eles realizaram testes científicos na propriedade de Alexandre e obtiveram a autorização necessária do Ministério da Agricultura para registrar a cultivar. Ana Paula Candido Gabriel Berilli, bióloga do Ifes, destacou a importância dessa parceria dentro do Projeto Fortac, voltado para a agricultura capixaba.
"Fizemos ciência aplicada na propriedade para validar o conhecimento empírico do Alexandre
✨ A cultivar 'Imigrante' é considerada livre de doenças e já está registrada no Renasem.
Alexandre informou que as mudas serão vendidas a R$ 9 o quilo, com um limite de 1.600 quilos por CPF. O viveiro deve produzir cerca de 10 mil caixas este ano, cada uma com 180 a 200 mudas.
Empreendedorismo e expansão
De acordo com o produtor, a demanda é promissora, incluindo interesses de agricultores de outros países, como África do Sul e Peru. Ele espera que a venda de mudas represente até 50% de sua renda anual.
✨ O próximo passo de Alexandre é registrar a proteção da cultivar para garantir o direito exclusivo de comercialização.
Tradicionalmente, os produtores de gengibre cultivam suas próprias mudas, o que pode propagar doenças na lavoura. A pesquisadora Ana Paula aponta que as mudas certificadas oferecem informações técnicas essenciais, como espaçamento ideal e manejo.
Informações sobre a variedade Imigrante
A cultivar foi desenvolvida em sistema orgânico e novos testes estão sendo realizados em manejo convencional. Além da Imigrante, outras variedades como Alexandrino, Manzuc e Belz também foram registradas, todas com alta produtividade.
A pesquisa contou ainda com o apoio do Incaper e das prefeituras locais de Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.
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