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Mercado de carbono se torna nova renda para produtores rurais

Oportunidade inédita transforma práticas sustentáveis em ativos lucrativos.

Acro Rodrigues25 de maio de 2026 às 15:45
Mercado de carbono se torna nova renda para produtores rurais

O presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, destaca que o mercado de carbono se estabelece como uma nova e promissora fonte de receita para o agricultor brasileiro, transformando práticas sustentáveis em ativos comercializáveis.

Considerado há algum tempo uma questão ambiental secundária, o mercado de carbono agora se impõe como um novo campo econômico, oferecendo aos produtores rurais uma real opção de aumentar sua renda, diversificar suas atividades e valorizar seus bens.

Em 2023, o mercado global de carbono alcançou a cifra impressionante de US$ 75 bilhões, impulsionado pelos sistemas regulados da Europa e Ásia.

O mercado voluntário, onde o Brasil possui destaque, também se expandiu rapidamente, com a McKinsey & Company prevendo um crescimento de até 15 vezes até 2030.

Oportunidades no Brasil

O Brasil está estrategicamente posicionado para se tornar um líder neste setor. Com sua matriz energética limpa, vasta extensão territorial, rica biodiversidade e habilidade em práticas agrícolas sustentáveis, o país é capaz de atender a uma significativa parcela da demanda global por créditos de carbono.

Projeções sugerem que até 2030 o Brasil poderá atender 48,7% da demanda do mercado voluntário e 28% do regulado, movimentando até US$ 120 bilhões, segundo a PRO Carbono Commodities.

O mercado nacional de créditos de carbono, que era de aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2025, pode ultrapassar os US$ 25 bilhões até 2034, com um crescimento anual superior a 28%.

A agropecuária brasileira tem um enorme potencial de captação e redução de carbono, podendo transformar áreas produtivas e de conservação em créditos negociáveis. Os preços dessas cartas variam, dependendo do tipo de projeto, os créditos florestais de alta qualidade podem valer até US$ 38 por tonelada de CO2.

Já existem casos de monetização no campo, com ganhos para agricultores variando entre R$ 10 mil a R$ 50 mil por ano, dependendo de vários fatores, conforme dados da TrustCarbon.

Desafios e o futuro

Entretanto, o desenvolvimento desse mercado no Brasil enfrenta desafios, como a falta de um sistema regulado estruturado, a necessidade de padronização de métodos e os custos de certificação, que dificultam a inclusão de pequenos e médios produtores.

Um sistema nacional de precificação de carbono pode oferecer maior segurança jurídica e transparência, aumentando a escalabilidade do mercado.

O mercado de carbono muda a percepção do produtor rural, que agora é visto não apenas como fornecedor de alimentos, mas como prestador de serviços ambientais.

Integrar a produção, a sustentabilidade e a rastreabilidade se tornará fundamental para os produtores que desejam se destacar no cenário internacional e obter valor agregado em suas propriedades.

Com isso, o carbono, que antes era considerado um problema, se transforma em uma oportunidade vital na nova economia do agronegócio.

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