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agricultura
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Inadimplência rural atinge recorde e agronegócio cobra mudanças

Setor pede reformulação do Plano Safra 2026/2027 diante da crise financeira

Gabriel Rodrigues18 de maio de 2026 às 11:45
Inadimplência rural atinge recorde e agronegócio cobra mudanças

O agronegócio brasileiro entra no segundo semestre de 2026 enfrentando um cenário crítico, com a inadimplência rural nas maiores taxas da história e um passivo que ultrapassa R$ 800 bilhões. Produtores e organizações do setor clamam por uma revisão do Plano Safra 2026/2027, que deverá ser apresentado em junho, alertando que a falta de reformulações pode impactar negativamente a produção nacional.

Inadimplência rural atinge os níveis mais altos já registrados.

Os dados do último ciclo agrícola revelam a fragilidade do modelo atual. No Plano Safra 2025/2026, o governo federal havia se comprometido a destinar R$ 516,2 bilhões para o setor agrícola, mas, na prática, apenas R$ 113,8 bilhões foram utilizados para a equalização de juros. Isso significa que mais de 75% dos recursos prometidos não saíram do papel.

A ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) analisou a situação crítica ao afirmar que o Plano Safra, em sua forma atual, não atende mais às necessidades da agricultura brasileira. Ela apontou três fatores principais que acentuam a crise: condições climáticas adversas, restrições de crédito e a queda nos preços das commodities agrícolas.

Fatores Críticos

Problemas climáticos, dificuldades de acesso ao crédito e preços em queda agravam a crise no campo, juntamente com a instabilidade no fornecimento de insumos devido a conflitos internacionais.

A valorização do real em relação ao dólar e as altas taxas de juros, que variam entre 18% e 22%, complicam ainda mais a situação. A senadora declarou: 'Pegar dinheiro nessas condições é uma insanidade', citando que muitos agricultores não conseguem cumprir suas obrigações financeiras devido ao aumento dos custos e à redução de preços.

O endividamento do setor é alarmante, alcançando cerca de R$ 170 bilhões, sendo um terço desse montante em instituições financeiras, enquanto o restante é devido a fornecedores e outras operações privadas que não foram renegociadas. A dificuldade em apresentar garantias para novos créditos também impede muitos produtores de acessarem novas linhas de financiamento.

Propostas da CNA para o Plano Safra 2026/2027

Em resposta a essa crise, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou um conjunto de dez propostas ao governo, criticando o modelo atual que, segundo a entidade, não proporciona a continuidade necessária e é sujeito a cortes orçamentários.

  • 1Implementação de um novo modelo plurianual para garantir previsibilidade.
  • 2Reforço no orçamento do seguro rural com R$ 4 bilhões.
  • 3Destinação de R$ 623 bilhões efetivos para o Plano Safra 2026/2027.
  • 4Medidas de apoio para produtores endividados.
  • 5Atualização dos limites de Renda Bruta Agropecuária.
  • 6Apoio à modernização da Lei do Agro.
  • 7Redução da burocracia no acesso ao crédito rural.
  • 8Prioridade para programas de investimento agropecuário.
  • 9Expansão dos fundos garantidores para operações agrícolas.
  • 10Ampliação do financiamento privado no setor agrícola.

Essas propostas buscam à transformação do apoio financeiro ao agronegócio, com foco na continuidade e estabilidade, essencial para um setor que representa quase 25% do PIB nacional.

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