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agricultura
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Safra de grãos 2026/27 deve enfrentar desafios externos

Geopolítica e clima influenciam os preços da soja e milho

Acro Rodrigues22 de abril de 2026 às 11:55
Safra de grãos 2026/27 deve enfrentar desafios externos

A safra de grãos 2026/27, especialmente no que tange à soja e ao milho, deve ser impactada por fatores geopolíticos e dinâmicas de energia, mantendo os preços acima do nível de equilíbrio.

De acordo com uma análise da Biond Agro, o setor revela-se cada vez mais instável, com um descompasso entre a oferta alta e a demanda moderada, o que pode criar margem para novas influências na formação dos preços.

O clima é considerado o principal fator de incerteza, dado a transição do fenômeno La Niña para uma condição neutra, que pode abrir espaço para o El Niño no segundo semestre de 2026.

Yedda Monteiro, analista da consultoria, destacou que o cenário internacional apresenta uma vasta oferta e um aumento consistente na produção da América do Sul, mas com um crescimento mais modesto na demanda, principalmente da China. "Esse descompasso entre oferta e demanda é tendência e traz novas variáveis que ganham destaque na formação de preços", comentou.

Nos EUA, observa-se uma competição significativa entre milho e soja, favorecendo o milho em momentos de estoques altos, o que diminui as oportunidades para a oleaginosa. Essa dinâmica global de oferta e demanda influencia as flutuações nos preços, que por sua vez revisam a área cultivada dessas culturas.

Recentemente, as cotações da soja em Chicago passaram de cerca de US$ 10/bushel para além de US$ 11/bushel, em resposta a atrasos na colheita no Brasil, expectativas de compras da China nos EUA e tensões geopolíticas que elevaram os preços do petróleo e do biodiesel. "Essas altas devem-se mais a riscos e a questões de energia do que a fundamentos agrícolas", explicou Yedda.

Para o ciclo 2026/27, a Biond Agro não antecipa um período de alta constante, uma vez que a oferta global, liderada pelo Brasil, não apresenta sinais de uma significativa diminuição. Assim, a orientação para os produtores é priorizar a gestão de custos em vez de se preocupar excessivamente com as previsões de preços dos grãos. "A recomendação é focar na gestão de custos, identificar oportunidades e assegurar uma média expressiva", concluiu Yedda.

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