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agricultura
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Transformações no mercado do feijão moldam consumo brasileiro

Mudanças no comportamento do consumidor refletem novas prioridades alimentares

Gabriel Rodrigues25 de julho de 2026 às 16:20
Transformações no mercado do feijão moldam consumo brasileiro

O mercado de feijão no Brasil está em transformação e vai muito além de uma simples commodity, como enfatiza Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses. Essa mudança é impulsionada não apenas por fatores econômicos, como preço e inflação, mas pela evolução nas preferências dos consumidores.

Novas Dinâmicas de Consumo

Tradicionalmente, as análises sobre o consumo de alimentos focavam em quanto os consumidores estavam dispostos a gastar. Contudo, uma nova questão está emergindo: o que realmente merece lugar em suas mesas? Essa transformação vai moldar o mercado de forma relevante, com o consumidor cada vez mais consciente de questões como saúde, origem e qualidade.

Os consumidores estão buscando mais do que apenas o alimento mais barato, mas sim aquele que entrega mais valor dentro de seu orçamento.

O envelhecimento da população e o aumento dos casos de doenças como diabetes e obesidade têm chamado a atenção para a importância da alimentação preventiva. Esses fatores estão mudando os hábitos alimentares e criando uma demanda maior por dietas equilibradas.

Marcelo Lüders menciona sua própria experiência com o uso de medicamentos que exigem uma atenção maior ao consumo de proteína, levando-o a questionar por que o feijão, uma excelente fonte de proteína vegetal, não é mais promovido como tal.

Uma Nova Visão para os Pulses

Os pulses, incluindo feijão, lentilha e grão-de-bico, são alimentos ricos em nutrientes e ainda subestimados no Brasil, onde a conversa sobre alimentação saudável tende a favorecer carnes e produtos industrializados.

Os supermercados estão expandindo suas marcas próprias, o que pode ser uma oportunidade para a indústria agrícola brasileira desenvolver produtos de qualidade e diferenciados.

O interesse crescente por alimentos minimamente processados e de origem conhecida demonstra que o consumidor deseja saber mais sobre quem produz e como os alimentos são feitos.

O Brasil possui uma capacidade produtiva excepcional, com variedade de feijões e pulses. No entanto, é crucial que essa capacidade se conecte com as reais necessidades e desejos do consumidor.

Lüders enfatiza que a próxima grande batalha do agronegócio não será apenas pelos mercados externos, mas pela confiança do consumidor, que está cada vez mais consciente das suas escolhas alimentares.

O autor defende, portanto, o conceito de 'Agroalimento', que implica uma mudança de foco das empresas agrícolas. Para ter sucesso no século XXI, os produtores precisam se engajar com o consumidor e oferecer não apenas produtos, mas soluções alimentares.

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