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agricultura
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El Niño pode impactar agricultura com redução de até 10% na produção

Cenário de dívidas e custos altos potencializa os desafios para o setor

Gabriel Rodrigues25 de julho de 2026 às 11:20
El Niño pode impactar agricultura com redução de até 10% na produção

A confirmação de um El Niño de forte intensidade para 2026 pode trazer novos desafios à agricultura brasileira, que já enfrenta uma situação delicada com dívidas elevadas e custos em alta. Eduardo Assad, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), declarou em entrevista ao Broadcast Agro que, caso o fenômeno seja classificado como superforte, a produção nacional de grãos poderá cair até 10%, conforme observado em episódios anteriores.

Intensidade do fenômeno e impactos potenciais

Assad destacou que o El Niño já está presente, e a grande questão agora reside em sua intensidade. Modelagens climáticas tanto da NOAA, nos EUA, quanto de instituições europeias apontam para mais de 90% de probabilidade de um evento forte ou superforte. Para um fenômeno ser considerado forte, a anomalia da temperatura da superfície do Pacífico deve variar entre 1°C e 1,5°C, enquanto supera os 2°C para ser classificado como superforte.

Uma queda de 10% na safra de soja e milho pode significar uma perda de 32 milhões de toneladas.

Nos últimos dez anos, o Brasil enfrentou três episódios muito fortes, com o ciclo 2023/24 sendo um dos mais afetados. Durante esse período, perdas consideráveis foram registradas nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, enquanto o Sul teve um aumento na produção devido a chuvas excessivas. Especificamente na soja e no milho, as perdas atribuídas à seca variaram entre 7% e 10%.

Necessidade de tecnologias e planejamento

Para a safra 2025/26, que é estimada em aproximadamente 320 milhões de toneladas de soja e milho, uma eventual perda de 10% representaria cerca de 32 milhões de toneladas. Apesar de um aumento projetado de 1,5% na área plantada, essa expansão não deverá compensar as perdas climáticas, similar ao que ocorreu em 2023/24.

Assad ressaltou que, embora existam tecnologias para mitigar perdas há mais de 35 anos, a implementação dessas soluções exige um planejamento a longo prazo de três a quatro anos. Entre as soluções mencionadas estão o aprimoramento do sistema radicular, a cobertura do solo, o plantio direto de qualidade e a integração lavoura-pecuária (ILP) e lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Produtores que adotam práticas sustentáveis ainda enfrentam perdas, mas em menor escala — cerca de 15% comparado a 25% entre os que não adotam.

O pesquisador defendeu a importância da adaptação da agricultura às mudanças climáticas, enfatizando que essa transição precisa ocorrer com mais agilidade. Ele propôs o seguro rural como uma estratégia de investimento e considerou a implementação do Código Florestal como parte do processo de adaptação. Em sua visão, a resposta a esse novo cenário climático requer um planejamento de longo prazo dos sistemas produtivos.

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