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agricultura
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Webinar discute futuro do milho e soja no Brasil e EUA

Perspectivas de mercado são analisadas por especialistas em evento do Sistema Faesc/Senar.

Gabriel Rodrigues30 de abril de 2026 às 12:15
Webinar discute futuro do milho e soja no Brasil e EUA

Os desafios e as perspectivas para os mercados de milho e soja foram analisados durante o segundo webinar do ano promovido pelo Sistema Faesc/Senar, realizado na terça-feira, 28. O evento se concentrou no 'Cenário de oferta e demanda global: perspectivas de mercado de milho e soja'.

Conduzida por Paulo Roberto Molinari, consultor-chefe da Safras & Mercado, a palestra explorou diversos fatores que impactam o setor, desde questões climáticas até geopolíticas. De acordo com Molinari, o avanço do plantio da safra 2026/27 nos Estados Unidos está acelerado devido a condições climáticas favoráveis. Dados recentes mostram que a área plantada com milho já atinge cerca de 25%, enquanto a soja também apresenta um desempenho acima da média, com mais de 20% da área cultivada.

O clima favorável nos EUA tem sido crucial para impulsionar a produtividade nas lavouras.

Em uma análise mais ampla, Molinari destacou a instabilidade cambial global provocada pela política monetária dos Estados Unidos. A valorização do Yuan tem sustentado o poder de compra da China, o que é vital para a importação de produtos como carnes e grãos, ajudando a estabilizar as oscilações da moeda brasileira. Contudo, o Brasil ainda enfrenta vulnerabilidades, como déficits recorrentes em sua balança de transações, que chegaram a cerca de US$ 6 bilhões em março.

Safrinha de Milho no Brasil

No que diz respeito à safrinha de milho no Brasil, persistem preocupações, embora a situação apresente sinais de melhoria, especialmente em regiões que enfrentavam estresse hídrico. Chuvas recentes em áreas como o Norte do Paraná e partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul estão auxiliando na recuperação das lavouras.

Apesar disso, algumas áreas de Goiás ainda precisam de mais regularidade nas chuvas. Especialistas mencionam que perdas pontuais não afetarão significativamente o equilíbrio global de oferta e demanda, mas poderão gerar movimentos especulativos no mercado.

Novas previsões climáticas indicam chuvas para regiões produtivas, o que pode beneficiar as lavouras.

No entanto, o impacto do fenômeno El Niño está começando a ser observado, com sinais de seca na Venezuela que podem se intensificar e afetar o Brasil nos próximos meses.

Mercado da Soja

Quanto à soja, Molinari destacou que o clima na América do Sul e as importações chinesas dos Estados Unidos estão perdendo importância, enquanto a safra americana e a demanda por biodiesel estão em ascensão. A ampliação das metas de produção de biodiesel nos EUA está elevando a demanda por óleo de soja, o que impacta positivamente os preços.

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), previsto para 12 de maio, é um fator a ser observado, pois pode incluir revisões nas exportações de milho, que já superaram em 16 milhões de toneladas os números do ano anterior.

Mudanças no comércio internacional, especialmente entre EUA e China, podem alterar a dinâmica do mercado.

O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, elogiou o webinar e destacou a profundidade das análises apresentadas. Ele também anunciou que o próximo ciclo de palestras abordará fertilizantes em junho.

Pedrozo reiterou a importância de informações qualificadas para a tomada de decisão em um ambiente de mercado desafiador.

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