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Agronegócio
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Agricultores e cientistas debatem impacto do carbono no solo

A pesquisa evidencia a relação entre carbono no solo e a produtividade agrícola no Brasil.

Ricardo Alves30 de junho de 2026 às 09:40
Agricultores e cientistas debatem impacto do carbono no solo

Pesquisadores e agricultores têm ampliado o debate sobre o carbono no solo, que vai além das questões ambientais, buscando compreender seus efeitos diretos na produtividade agrícola, na retenção de água e na resiliência das lavouras em face de eventos climáticos extremos.

Uma investigação conduzida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em cooperação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) revelou que os solos do Brasil guardam aproximadamente 36 bilhões de toneladas de carbono orgânico. Isso representa cerca de 5% do total global.

Solos saudáveis têm capacidade maior de armazenar água e nutrientes, reduzindo perdas em crises climáticas.

José Siqueira, professor emérito da UFLA e integrante do projeto Regenera Cerrado, enfatiza que a gestão dos solos está interligada à dinâmica do carbono. Ele destaca que, ao incrementar o teor de matéria orgânica, a retenção de carbono melhora, impactando positivamente a qualidade e a produtividade das culturas.

A matéria orgânica é essencial para regular diversas propriedades do solo. Práticas de manejo regenerativo estão em alta no Brasil, dado seu impacto não só ambiental, mas também agronômico e econômico.

De acordo com Siqueira, aumentar a matéria orgânica melhora a retenção de água, o que permite que as culturas resistam melhor a períodos secos. Um incremento de 1% neste teor pode permitir que o solo retenha até 150 mil litros de água por hectare, beneficiando especialmente as lavouras em condições climáticas adversas.

Outros métodos como plantio direto, uso de palhada, rotação de culturas e plantas de cobertura são promissores para minimizar a degradação da matéria orgânica, aumentando o acúmulo de carbono.

Jorge Gustavo, da Cargill, ressalta a crescente importância de práticas agrícolas que assegurem resiliência produtiva, destacando a agricultura regenerativa como um modelo viável para equilibrar produtividade e sustentabilidade a longo prazo.

Priscila Terrazzan, diretora do Instituto BioSistêmico, acredita que a colaboração entre pesquisa e prática agrícola é crucial para enfrentar desafios técnicos e ambientais, e que iniciativas como Regenera Cerrado oferecem uma abordagem prática dentro do contexto das propriedades rurais.

O projeto Regenera Cerrado, iniciado em 2022 pelo Instituto Fórum do Futuro, busca difundir práticas de agricultura regenerativa com base científica, promovendo um modelo escalável para a produção de soja e milho, apoiado por várias instituições e encontrado principalmente na região de Rio Verde, Goiás.

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