Agricultura regenerativa ganha força entre empresas globais
Práticas sustentáveis são adotadas para reduzir emissões de carbono

O mercado global da agricultura está cada vez mais adotando métodos regenerativos como resposta aos desafios climáticos, com empresas buscando maneiras eficientes de sequestrar carbono. Essa mudança é impulsionada pelo reconhecimento de que a agricultura e a cadeia de suprimentos alimentares são grandes responsáveis por emissões de gases de efeito estufa.
Desafios enfrentados pela agricultura
Estudos indicam que quase um terço das emissões globais vem do setor agrícola, impactado gravemente pelas mudanças climáticas. Aumento de temperaturas coloca em risco culturas vitais. Chuck de Liedekerke, CEO da Soil Capital, destaca a urgência de transformar o sistema alimentar: "Nunca foi tão evidente que nosso sistema alimentar precisa ser consertado".
✨ Agricultores estão se comprometendo a aumentar o carbono no solo, implementando práticas regenerativas.
Essas práticas incluem a diminuição da movimentação do solo e o uso de fertilizantes químicos, além da promoção da diversidade de plantas e cultivo de culturas de cobertura. A Soil Capital monitora o carbono armazenado e emite certificados que podem ser vendidos a empresas, permitindo que elas compensem suas emissões.
"O que impede muitos produtores de adotar a agricultura regenerativa é o risco que precisam assumir em um contexto de margens muito apertadas
Recentemente, a Soil Capital firmou uma parceria plurianual com a Nestlé, visando que 50% dos ingredientes principais sejam obtidos de agricultores regenerativos até 2030. Essa mudança está alinhada ao reconhecimento de que a maioria das emissões da companhia provém do fornecimento de ingredientes.
Outras empresas como Carlsberg, Diageo e Unilever também têm adotado práticas regenerativas em suas operações, refletindo uma tendência crescente no setor de alimentos e bebidas.
Barreiras à adoção e ceticismo
Embora a agricultura regenerativa tenha potencial para se tornar uma solução viável contra as mudanças climáticas, há céticos dentro da comunidade científica. Timothy Searchinger, do World Resources Institute, acredita que a captura de grandes quantidades de carbono em solos agrícolas não é viável na atualidade e que práticas como as culturas de cobertura precisam de maior adesão.
✨ Pesquisa aponta que o sequestro de carbono em solos poderia compensar até 4% das emissões globais ao longo do século.
Em contrapartida, Liedekerke argumenta que os benefícios da agricultura regenerativa não se limitam ao clima, mas também à fertilidade do solo e biodiversidade. A Soil Capital atualmente apoia 1,8 mil agricultores, com metas de expansão significativa nos próximos anos.
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