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Agronegócio
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Área de soja no Brasil cresce marginalmente na safra 2026/27

Produção enfrenta desafios como custos altos e riscos climáticos

Giovani Ferreira06 de maio de 2026 às 15:20
Área de soja no Brasil cresce marginalmente na safra 2026/27

A área dedicada ao cultivo de soja no Brasil deve apresentar um leve aumento durante a safra de 2026/27, conforme análise de Nathalia Giannetti, especialista em precificação de grãos na Argus. Os fatores que limitam essa expansão incluem margens de lucro estreitas, altos custos com fertilizantes e incertezas relacionadas ao clima.

Giannetti também mencionou a primeira estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que indica que a área plantada em Mato Grosso, responsável por cerca de 30% da produção nacional de soja, deve crescer em menos de 0,3%. Este estado muitas vezes serve de barômetro para as tendências do mercado brasileiro.

O consumo da soja permanece sólido, impulsionado pela demanda da China e pelo processamento interno voltado ao biodiesel.

Entretanto, os agricultores enfrentam um contexto desafiador, com preços pressionados pela sobreoferta global e gastos elevados com fertilizantes. Em particular, os custos dos fertilizantes fosfatados, fundamentais para o cultivo da soja, continuam em níveis altos devido a uma confluência de problemas logísticos e outros fatores de produção, como quedas na produção no Marrocos e restrições de exportação na China.

Contexto sobre Fertilizantes

A relação de troca para os produtores está na sua pior fase desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, resultando em uma desaceleração nas compras. Até abril, menos da metade do volume desejado de fertilizantes para a próxima safra foi adquirido.

Além disso, existe uma expectativa de redução média de 15% nas entregas de fertilizantes ao Brasil em 2026, especialmente os fosfatados, o que pode impactar ainda mais a produção.

No que diz respeito às condições climáticas, Giannetti lembrou que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê mais de 90% de chance de ocorrência do fenômeno El Niño na segunda metade do ano, que pode resultar em chuvas abaixo do normal no Centro-Oeste e um aumento de precipitações no Sul, durante o crucial período de plantio.

Embora a tendência geral seja de crescimento da área plantada no Brasil, a magnitude desse aumento dependerá da evolução dos custos dos insumos, do cronograma de entrega de fertilizantes e das condições climáticas nos próximos meses. Sem melhorias nessas áreas, a expansão esperada pode ser moderada, aumentando os riscos para a produtividade, particularmente em Mato Grosso.

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