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Agronegócio
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Brasil critica tarifa de 25% dos EUA sobre etanol e açúcar

Setor agroindustrial vê medida como retrocesso nas relações comerciais

Gabriel Rodrigues16 de julho de 2026 às 17:30
Brasil critica tarifa de 25% dos EUA sobre etanol e açúcar

O governo brasileiro manifestou fortes críticas nesta quinta-feira (16) à recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre a importação de etanol e açúcar do Brasil. Esta medida é vista como um retrocesso nas relações comerciais entre as duas nações.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), os dados de 2025 revelam que os EUA adquiriram 253 milhões de litros de etanol brasileiro, totalizando cerca de US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões). Com isso, os Estados Unidos tornaram-se o segundo maior destino para as exportações de etanol do Brasil, perdendo apenas para a Coreia do Sul.

Em relação ao açúcar, os EUA importaram 420 mil toneladas do Brasil em 2025, um número significativamente inferior às 1,12 milhão de toneladas registradas no ano anterior, em 2024.

A nova tarifa de 25% deve entrar em vigor em 22 de julho.

A Unica considerou a nova tarifa injusta, ressaltando que as importações de açúcar brasileiro já enfrentam diversas tarifas e barreiras comerciais nos EUA. Em contrapartida, o Brasil não impõe restrições sobre o etanol americano, o que evidencia a assimetria na relação comercial.

Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), a imposição da tarifa foi justificada com a alegação de que o Brasil opera com práticas comerciais desleais, o que foi prontamente rebatido pelo governo brasileiro.

Adicionalmente, a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) argumentou que a tarifa imposta ao etanol importado pelo Brasil está em conformidade com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não infringe acordos bilaterais com os Estados Unidos.

A entidade destacou também que a diminuição das importações de etanol americano para o Brasil se deve ao aumento significativo na produção interna de etanol a partir do milho, que atendeu melhor à demanda local.

Renato Cunha, presidente-executivo da associação NovaBio, que representa os produtores de açúcar e bioenergia, criticou a nova tarifa, afirmando que os Estados Unidos buscam expandir suas vendas de etanol para um mercado brasileiro que já é autossuficiente, sem oferecer compensações razoáveis para a exportação de açúcar.

"

'Eles querem vender etanol para um país que não precisa importar esse produto. Isso não é negociação, é imposição.'

Renato Cunha

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