O evento revelou tensões notáveis entre expositores e visitantes, com diferenças significativas no fluxo de pessoas.

Na última edição do CAC, tudo parecia seguir seu curso habitual, com estandes preparados e a troca de cartões de visita em alta. Contudo, ao conversar com os participantes, percebeu-se que havia um clima de incerteza pairando sobre o setor. Não se tratava de uma crise formal, mas de uma falta de clareza sobre o futuro.
O perfil dos participantes neste ano mostrou uma distinção clara: empresas focadas em ingredientes ativos de alto volume atraíram um grande número de visitantes, enquanto aquelas com produtos mais especializados escutaram relatos de interesse mediano. Essa variação de interesse foi notável, pois mesmo empresas no corredor principal experienciaram fluxos de visitantes muito diferentes entre si.
Os visitantes internacionais também foram um ponto de destaque. A América Latina marcou presença significativa, com os principais compradores brasileiros e representantes do Peru, Chile, México e Colômbia. Por outro lado, a única empresa representando os Estados Unidos e a quase total ausência da Austrália foram notadas. O Vietnã se destacou no Sudeste Asiático, seguido pela Tailândia e Malásia, com pouca representação da Indonésia.
✨ Problemas com fornecedores e escassez de matérias-primas foram destacados pelos expositores indianos.
O setor indiano de ingredientes ativos se mostrou sob pressão intensa, com dificuldades em obter cotações para materiais essenciais como fenol e bromo. Essas condições levaram produtores a operar sem referências de custo claras.
A incerteza no setor reflete não apenas a alta nos custos, mas também um padrão de homogeneização de produtos entre os estandes, onde muitos apresentavam as mesmas ofertas.
"A Índia tem 1,4 bilhão de pessoas; temos mercado doméstico e estamos expandindo para formulações no exterior.
A evolução dos preços foi um tema recorrente nas conversas durante o evento. A alta não está ligada a um crescimento da demanda, mas sim às flutuações do mercado energético, especialmente no Oriente Médio, que impactam diretamente o custo das matérias-primas.
✨ Cerca de 80% das fábricas consultadas estão operando no vermelho devido a essas altas de custo.
Com o setor buscando estabilizar seus estoques, é evidente que o ciclo atual de preços não representa uma situação saudável para a indústria de agroquímicos.
Os expositores notaram uma preocupante tendência de homogeneização nos produtos oferecidos. Essa prática é comum entre empresas que se baseiam em maximizar o retorno sobre investimento, levando a um padrão de mercado que pode resultar em guerras de preços.
As empresas ocidentais, por sua vez, buscam manter o poder de precificação dentro de nichos específicos.
Em suma, o CAC 2025 não apresentou soluções prontas, mas evidenciou a necessidade de adaptação e mudança no setor. Com muitos aguardando por notícias e outros já mudando de rumo, o futuro continua incerto.
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