Café de Rondônia estima safra recorde apesar do risco de El Niño
Projeções da Caferon indicam aumento de quase 30% na produção de 2026

A Associação dos Cafeicultores de Rondônia (Caferon) anunciou uma projeção empolgante para a safra de café robusta de 2026, que pode alcançar um recorde de 3 milhões de sacas de 60 quilos, superando a expectativa de 2,77 milhões de sacas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Este potencial crescimento é apoiado por condições climáticas favoráveis e pela implementação de sistemas de irrigação, permitindo um aumento de quase 30% em relação à produção anterior, que foi de 2,32 milhões de sacas.
Otimismo apesar do El Niño
Apesar das preocupações sobre o impacto de um 'Super El Niño' no ciclo produtivo, o presidente da Caferon, Juan Travain, afirma que a temperatura e as chuvas na Região Norte do Brasil têm se mantido dentro dos padrões normais. Ele destaca que a safra 2026/27 está se configurando para oferecer grãos de boa qualidade e alta produtividade.
✨ Rondônia apresenta uma das maiores produtividades de café robusta do mundo, com média de 64 sacas por hectare.
Além disso, quase todas as lavouras no estado utilizam irrigação por gotejamento, reduzindo a vulnerabilidade a altas temperaturas e secas em comparação com áreas que cultivam café arábica.
Desafios em outras regiões
O cenário em Rondônia contrasta fortemente com o que se observa em outras regiões cafeeiras, como Minas Gerais, onde produtores enfrentam problemas com chuvas irregulares e um risco elevado de doenças nas plantas.
Travain ressalta que a principal preocupação, caso o El Niño se agrave, é o aumento das temperaturas, que, durante o período crítico entre agosto e outubro, podem prejudicar o florescimento das plantas.
Genética e Manejo como fatores de sucesso
A robustez da produção em Rondônia também está atrelada a fatores genéticos. O pesquisador da Embrapa, Enrique Alves, afirma que as variedades de café canéfora, que incluem o robusta e conilon, têm melhor adaptação a climas quentes e boa resistência a pragas.
As previsões sugerem que o pico do El Niño ocorrerá no final do ano, o que é considerado mais vantajoso em comparação ao que ocorreu em 2024, quando o fenômeno afetou a florada das plantas.
"Um cenário preocupante seria se o pico do fenômeno acontecesse durante a floração", concluiu Alves.
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