Clonostachys rosea pode revolucionar o controle da podridão cinzenta
Avanços no cultivo do fungo podem substituir defensivos químicos na agricultura

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente conseguiram identificar que ajustes simples no cultivo do fungo Clonostachys rosea podem aumentar sua capacidade de controlar a podridão cinzenta, uma doença causada pelo patógeno Botrytis cinerea, que afeta mais de 200 tipos de culturas agrícolas.
Essa descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de biopesticidas, expandindo as opções de controle biológico disponíveis para os agricultores.
Métodos de Cultivo e Resultados
Os pesquisadores mostraram que a melhoria na aeração e o correto balanceamento da relação carbono-nitrogênio no meio de cultivo ajudaram a potencializar a produção de estruturas reprodutivas do fungo, que têm grande potencial para aplicação agrícola.
"A podridão cinzenta é uma das doenças mais problemáticas, causando danos significativos tanto no campo quanto nas perdas pós-colheita. Por isso, buscamos alternativas aos defensivos químicos
Os pesquisadores Wagner Bettiol e sua equipe estudaram como a aeração e a composição nutricional afetam a produção de conídios e microscleródios — estruturas cruciais para a sobrevivência do fungo. A pesquisa indicou que a maior oferta de oxigênio e uma relação adequada entre carbono e nitrogênio ampliam a quantidade dessas estruturas.
✨ Estruturas produzidas pelo fungo podem ser misturadas à água e aplicadas como produtos convencionais.
Resultados Promissores
Os testes demonstraram que os novos produtos derivados do fungo reduziram a incidência da podridão cinzenta em tomates-cereja expostos ao patógeno.
Os pesquisadores também encontraram sorbicilinoides, compostos antifúngicos produzidos pelo fungo, que podem ter contribuído para a proteção observada.
Aprofundando a inovação, a pesquisadora Marcia Assalin revelou que os materiais do cultivo foram transformados em grânulos que podem ser aplicados de forma similar a produtos agrícolas comuns.
Entretanto, embora os resultados sejam encorajadores, ainda são necessários testes de campo antes que essa tecnologia possa ser adotada em larga escala.
A professora Nilce Kobori da UniFaj apontou que se os resultados forem confirmados em condições comerciais, isso poderá reduzir a dependência de fungicidas sintéticos, especialmente em frutas como tomate, morango e uva.
Com base nos resultados da pesquisa, a equipe apontou que o manejo adequado da aeração e da composição nutricional em cultivos submersos pode otimizar a produção de estruturas benéficas, destacando a necessidade de escalonamento industrial e validação comercial.
Ainda em fase de desenvolvimento, o estudo “Effects of Culture Aeration and the C:N Ratio on Propagule Production by Submerged Cultivation of Clonostachys rosea and Its Antifungal Metabolite Profiling” foi publicado na revista MicrobiologyOpen, ressaltando a relevância científica das descobertas.
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