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Agronegócio
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Clonostachys rosea pode revolucionar o controle da podridão cinzenta

Avanços no cultivo do fungo podem substituir defensivos químicos na agricultura

Gabriel Rodrigues22 de julho de 2026 às 15:10
Clonostachys rosea pode revolucionar o controle da podridão cinzenta

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente conseguiram identificar que ajustes simples no cultivo do fungo Clonostachys rosea podem aumentar sua capacidade de controlar a podridão cinzenta, uma doença causada pelo patógeno Botrytis cinerea, que afeta mais de 200 tipos de culturas agrícolas.

Essa descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de biopesticidas, expandindo as opções de controle biológico disponíveis para os agricultores.

Métodos de Cultivo e Resultados

Os pesquisadores mostraram que a melhoria na aeração e o correto balanceamento da relação carbono-nitrogênio no meio de cultivo ajudaram a potencializar a produção de estruturas reprodutivas do fungo, que têm grande potencial para aplicação agrícola.

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A podridão cinzenta é uma das doenças mais problemáticas, causando danos significativos tanto no campo quanto nas perdas pós-colheita. Por isso, buscamos alternativas aos defensivos químicos

afirmou Gabriel Mascarin, pesquisador da Embrapa.

Os pesquisadores Wagner Bettiol e sua equipe estudaram como a aeração e a composição nutricional afetam a produção de conídios e microscleródios — estruturas cruciais para a sobrevivência do fungo. A pesquisa indicou que a maior oferta de oxigênio e uma relação adequada entre carbono e nitrogênio ampliam a quantidade dessas estruturas.

Estruturas produzidas pelo fungo podem ser misturadas à água e aplicadas como produtos convencionais.

Resultados Promissores

Os testes demonstraram que os novos produtos derivados do fungo reduziram a incidência da podridão cinzenta em tomates-cereja expostos ao patógeno.

Os pesquisadores também encontraram sorbicilinoides, compostos antifúngicos produzidos pelo fungo, que podem ter contribuído para a proteção observada.

Aprofundando a inovação, a pesquisadora Marcia Assalin revelou que os materiais do cultivo foram transformados em grânulos que podem ser aplicados de forma similar a produtos agrícolas comuns.

Entretanto, embora os resultados sejam encorajadores, ainda são necessários testes de campo antes que essa tecnologia possa ser adotada em larga escala.

A professora Nilce Kobori da UniFaj apontou que se os resultados forem confirmados em condições comerciais, isso poderá reduzir a dependência de fungicidas sintéticos, especialmente em frutas como tomate, morango e uva.

Com base nos resultados da pesquisa, a equipe apontou que o manejo adequado da aeração e da composição nutricional em cultivos submersos pode otimizar a produção de estruturas benéficas, destacando a necessidade de escalonamento industrial e validação comercial.

Ainda em fase de desenvolvimento, o estudo “Effects of Culture Aeration and the C:N Ratio on Propagule Production by Submerged Cultivation of Clonostachys rosea and Its Antifungal Metabolite Profiling” foi publicado na revista MicrobiologyOpen, ressaltando a relevância científica das descobertas.

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