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Agronegócio
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Crédito caro afeta competitividade do agronegócio brasileiro

Financiamentos permanecem altos mesmo após redução da taxa Selic

Mariana Souza01 de maio de 2026 às 02:00
Crédito caro afeta competitividade do agronegócio brasileiro

O agronegócio brasileiro continua a enfrentar desafios significativos devido aos altos custos de crédito, mesmo com a recente redução da taxa Selic para 14,50% ao ano. Esse cenário impacta a competitividade do setor, ao elevar o custo de financiamento para a safra, limitando margens e dificultando a reestruturação financeira dos produtores.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adotou medidas em um clima de cautela, observando uma moderação gradual da atividade econômica, embora a inflação e suas previsões permaneçam acima das metas estipuladas. Além disso, existem preocupações com riscos externos, principalmente devido a tensões no Oriente Médio que podem afetar os preços de commodities e o câmbio brasileiro.

Setor agro depende de financiamentos para insumos e produção.

Esses altos juros obrigam os produtores a destinar uma porcentagem maior de sua receita ao pagamento de dívidas, o que limita a capacidade de investimento em novas tecnologias e infraestrutura. O banco Rabobank destaca que o cenário internacional continua complicado, com riscos geopolíticos persistentes, especialmente relacionados ao Estreito de Ormuz.

Contexto do Crise

As incertezas fiscais, as eleições e a relação entre juros internos e externos contribuem para o panorama desafiador do setor agrícola.

A pressão sobre os produtores é ainda mais intensa devido à possível valorização do dólar, que pode aumentar os preços de insumos dolarizados como fertilizantes e logística. Enquanto os exportadores podem se beneficiar da variação cambial, aqueles que enfrentam endividamento ou que dependem de produtos importados estão em uma posição mais vulnerável.

Em resposta, está sendo discutida a renegociação de dívidas no crédito rural. A proposta do governo, que será analisada pelo senador Renan Calheiros, sugere a prorrogação das operações até 30 de abril de 2026, abrangendo contratos assinados até 31 de dezembro de 2025, além de inadimplências ocorridas entre 1º de julho de 2024 e 30 de abril de 2026.

Essa medida tem o potencial de atender mais de 100 mil operações, somando cerca de R$ 81,6 bilhões em dívidas. Desse total, R$ 7 bilhões correspondem ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 11,2 bilhões do Pronampe e R$ 63,3 bilhões de outros produtores.

Embora a redução da Selic possa amenizar a pressão, a realidade dos agricultores persiste, com juros elevados e um ambiente de financiamento desafiador.

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